IA cria ataque que pode hackear celulares sem nenhum clique

Imagem: amenic181/Shutterstock

Pesquisadores da empresa de segurança Calif criaram, com ajuda de inteligência artificial, uma ferramenta capaz de invadir celulares sem que a vítima clique em links ou arquivos. O sistema foi desenvolvido em pouco mais de uma semana.

Chamado WeWorm, o ataque explorou uma vulnerabilidade que permitia assumir contas e se espalhar entre os contatos. Especialistas ouvidos pelo The New York Times disseram que centenas de milhões de dispositivos poderiam ser atingidos em poucas horas.

Ataque sem clique

A ameaça usa uma técnica conhecida como zero-click. Diferentemente do phishing, que depende da abertura de um link ou arquivo, o ataque não exige esse tipo de interação.

Segundo a Calif, atender uma chamada ou simplesmente deixá-la tocar poderia permitir a infiltração. Para impedir o ataque, seria necessário recusar a ligação segundos depois do primeiro toque.

Após assumir a conta, o invasor poderia ler e enviar mensagens, fazer chamadas e controlar o perfil. Em determinadas condições, o acesso também poderia levar ao comprometimento completo do telefone.

A confiança ajuda o ataque

O worm explorava a maneira como o aplicativo concedia privilégios adicionais a números salvos como amigos. Depois que um contato era comprometido, essa relação de confiança ajudava a ameaça a alcançar outros números da agenda.

O ataque reunia características que favoreciam uma rápida propagação:

  • Não exigia cliques em links ou arquivos;
  • Podia passar automaticamente entre contas;
  • Explorava uma vulnerabilidade desconhecida pelo fornecedor;
  • Poderia comprometer completamente o telefone;
  • Tinha potencial de propagação exponencial.

Vinh Nguyen, ex-cientista-chefe de dados da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), classificou o worm entre os ataques mais preocupantes que já analisou. Segundo ele, “centenas de milhões de dispositivos” poderiam ser alcançados em poucas horas.

IA acelera descoberta

A Calif afirmou ter combinado modelos de IA de código aberto com sistemas avançados desenvolvidos nos Estados Unidos. A empresa não revelou quais modelos foram utilizados.

O caso chama atenção pela velocidade com que a tecnologia pode ajudar a encontrar e explorar falhas. Ainda assim, a IA não fez todo o trabalho sozinha: os pesquisadores combinaram os recursos dos modelos com experiência humana.

Fonte: Olhar Digital

Primeira Coluna

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