Ceará é o 4º estado com maior índice de analfabetismo do Brasil

Em 2024, o Ceará teve a quarta maior taxa de analfabetismo do Brasil na gestão de Elmano, aliado do ministro da Educação, Camilo Santana, ex-governador do Estado (Foto: Denise Santana)

O Ceará aparece em uma posição preocupante no ranking do analfabetismo no Brasil. O Estado é o quarto do país com maior número de pessoas não alfabetizadas entre a população com 15 anos ou mais. Ao todo, 11,8% dos cearenses nessa faixa etária não sabem ler nem escrever. O índice só é inferior ao registrado em outros três estados nordestinos: Alagoas (14,2%), Piauí (13,8%) e Paraíba (12,7%).

O cenário acende um alerta para além da educação. A falta de acesso à alfabetização empurra muitos adolescentes e jovens para a exclusão social, limitando oportunidades e aumentando a vulnerabilidade à violência. Sem políticas eficazes de educação, o Estado corre o risco de ampliar ciclos de desigualdade, insegurança e perigo social.

Os dados são da Síntese dos Indicadores Sociais (SIS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última semana. Ou seja, são informações oficiais do Governo Federal. O mesmo governo que tem o cearense Camilo Santana (PT) no comando do Ministério da Educação. Uma pasta cujo orçamento previa R$ 226 bilhões para educação pública no geral em 2025.

Mas os números alarmantes não param por aí. Ainda segundo o levantamento, entre a população de 25 anos ou mais, há 11,6% “sem instrução”. Já outros 29,2% não têm o “ensino fundamental completo”.

O estudo aponta também que 7,7% têm “ensino fundamental completo”. Considerando o ensino médio, 28,6% é a taxa dos que concluíram, enquanto 5,7% não chegaram ao término. Se levado em consideração o ensino superior, os que concluíram são apenas 13,7%. Já os que têm o ensino incompleto são 13,7%.

“Muito marketing”

De acordo com o deputado estadual Pedro Matos (Avante), o governo Elmano de Freitas (PT), do mesmo partido do ministro Camilo Santana, faz “muito marketing” na educação, mas os resultados reais não aparecem.

“É inadmissível que o Ceará ainda tenha a 4ª maior taxa de analfabetismo do Brasil. Isso desmonta qualquer propaganda oficial”, disse o parlamentar em entrevista ao O Otimista.
“Se a educação fosse prioridade de verdade, o Estado não teria abandonado a alfabetização de jovens e adultos, não teria reduzido programas estruturantes e não teria deixado para trás justamente quem mais precisa”, reforçou o deputado.

Resposta

O Otimista procurou a Secretaria da Educação (Seduc) do Ceará, por meio dos contatos de e-mail disponíveis no site do Governo do Estado, para comentar o assunto.
Em nota, a pasta informou que a informação se baseia em dados da Pnad Contínua 2024, divulgada pelo IBGE, e se refere à população de jovens e adultos.

Segundo a Seduc, a oferta da educação infantil ao ensino fundamental na rede pública cearense faz parte de uma organização de competências sob a responsabilidade de cada município.
“Esse processo tem como base o Regime de Colaboração, instituído pelo estado do Ceará com todos os municípios cearenses”, disse.

“Nesse contexto, é desenvolvido pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Educação (Seduc), o Programa de Aprendizagem na Idade Certa – Paic Integral, que oferece formação continuada aos professores, apoio à gestão escolar, materiais pedagógicos estruturados e avaliação”, acrescentou.

Orçamento da educação no Ceará expõe descaso e contradição

A incoerência salta aos olhos: enquanto o governo exibe medalhas e selos, milhões de cearenses permanecem fora da educação, presos em um ciclo de exclusão, sem acesso real ao aprendizado ou ao mercado de trabalho

Enquanto o analfabetismo persiste e a educação do Ceará segue em atraso, os números do orçamento estadual deixam claro o descaso da gestão. O total destinado à educação chega a quase R$ 8,2 bilhões, mas, faltando menos de um mês para o fim do ano, apenas R$ 6,5 bilhões foram empenhados – 79,4% do previsto.

Com investimentos incompletos e mal aplicados, milhares de jovens seguem sem oportunidades, empurrados para a exclusão social e a violência, perpetuando ciclos de desigualdade e risco. Dos valores empenhados, R$ 6,1 bilhões foram liquidados (74,52%) e apenas R$ 4,8 bilhões pagos (59,20%).

Na prática, isso significa que grande parte dos recursos reservados para educação ainda não se converteu em investimentos efetivos. O empenho é apenas uma promessa, a liquidação confirma a execução, e o pagamento é quando o serviço ou material realmente chega à população.

Neste contexto, os números revelam atraso, desperdício e má gestão.

Contradição

O deputado estadual Pedro Matos (Avante) não poupa críticas: “O Governo comemora índices escolares, mas ignora centenas de milhares de cearenses que não sabem ler nem escrever. É a prova de que há muito discurso e pouca entrega, muita propaganda e pouca transformação. Muitos jovens concluem o ensino médio sem oportunidades de emprego ou renda, mostrando que a educação não profissionaliza nem insere no mercado de trabalho”.

Comparativo

O quadro se torna ainda mais preocupante quando comparado a 2024. Faltando menos de um mês para o fim daquele ano, o valor empenhado foi de R$ 7,1 bilhões, com R$ 6,9 bilhões liquidados e R$ 6,8 bilhões pagos. Ou seja, em 2025, o Estado não apenas atrasou a execução, como também reduziu os recursos aplicados.

Assim, a contradição é clara: enquanto o governo celebra medalhas e selos, milhões de cearenses seguem fora da educação, presos em um ciclo de exclusão e sem qualquer chance real de aprendizado ou inserção no mercado.

Fonte: O Otimista

Primeira Coluna

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