Vamos precisar de tratamento?

Seja no trabalho, na família ou entre o grupo de amigos, você deve conhecer alguém que simplesmente resolveu se desligar das redes sociais e dos smartphones.

Somos quinto país no ranking que mede o tempo de uso de smartphones, perdendo apenas para Indonésia, Tailândia, Argentina e Arábia Saudita. Aliás, a estimativa é que você toque no seu celular mais de 2.000 vezes por dia.

Se não consegue responder de cabeça, procure em seu celular o relatório de uso, para ver se seu tempo de tela é maior ou menor que a média brasileira: 5 horas e 32 minutos.

Em média, uma pessoa checa seu celular pelo menos 58 vezes ao dia. Grandes pesquisas relatam que mais de 57% já admitem uso problemático do telefone e 89% verificam o telefone em até 10 minutos após acordar.

Há alguns anos, o celular deixou de ser apenas para fazer ligações, se tornando quase que uma extensão do corpo humano — do banheiro até a mesa de jantar.

O motivo pelo qual você usa cada vez mais é biológico

Cada notificação, curtida ou mensagem nova aciona o seu sistema de dopamina — o mesmo neurotransmissor envolvido em qualquer atividade que te dê prazer.

Ao abrir o seu feed e ver algo estimulante — como uma foto de biquíni ou qualquer outra coisa — ou uma notificação de alguém que você gosta no WhatsApp, há uma chuva de dopamina em sua mente.

Como o corpo humano é uma máquina que odeia excessos, ele sempre tenta voltar ao equilíbrio. Logo, se há estímulo demais, ele se adapta para não “explodir” o sistema:

  1. Os receptores de dopamina começam a diminuir em número ou sensibilidade — como uma tomada que perde a força;
  2. Como resultado, você precisa de mais estímulo para sentir o mesmo prazer.

Essa adaptação é chamada de downregulationo cérebro “baixa o volume” para se proteger do excesso. Não é que ele produza menos dopamina, mas sim que reage menos à dopamina que recebe.

Na prática, por mais duro que pareça, seu corpo é vítima do mesmíssimo mecanismo que ocorre com a cocaína — literalmente, o mesmo princípio biológico.

Os dados confirmam isso: Restringir o uso do smartphone por 72 horas alterou a atividade cerebral em regiões ligadas a recompensa e autocontrole — efeito comparável ao de abstinência (Science Alert, March 2025).

A Deloitte concluiu que quase 40% dos jovens adultos já tentaram diminuir seu tempo de tela voluntariamente. Termos como detox digital e dumb phone cresceram nas buscas de Google Trends, mas nada se compara ao que você vai ver agora.

Fonte: The News

Primeira Coluna

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