A ascensão de Michelle Bolsonaro à frente do PL Mulher tem adicionado novos elementos ao cenário político nacional e, especialmente, as dinâmicas internas do Partido Liberal, inclusive no Ceará. Desde que assumiu a presidência da instância partidária, em março de 2023, por indicação de Valdemar Costa Neto, a ex-primeira-dama tem implementado uma reestruturação conservadora, buscando ampliar a representação feminina por meio de grandes eventos, uso intensivo das redes sociais e criação de diretórios.
Já citada há algum tempo como possível representante do marido, Jair Bolsonaro, que está inelegível para 2026, Michele vê o crescimento de sua popularidade, especialmente junto ao eleitorado evangélico. Pesquisas de opinião recentes já a colocam como um nome competitivo em uma possível disputa com Lula no embate do próximo ano.
No entanto, essa ascensão não ocorre sem “rachas” na base bolsonarista. Críticas internas apontam um incômodo com o alto investimento financeiro em sua liderança e a percepção de uma política inexperiente, de temperamento instável e difícil de lidar, vista por alguns como uma figura “tutelável” por Valdemar.
O próprio Jair Bolsonaro já demonstrou uma postura flutuante sobre a candidatura presidencial ou ao Senado de Michelle, embora Valdemar afirme que a decisão final caberá ao ex-presidente.
PL em transição e turbulências no Ceará
Essa efervescência nacional tem reflexos no Ceará, onde o PL passa por um momento de transição. Atualmente presidido pelo deputado estadual Carmelo Neto, o comando do partido será assumido pelo deputado federal André Fernandes em agosto. Essa mudança, nos bastidores, está gerando desconfortos na base bolsonarista.
O partido se prepara para uma eleição estadual no Ceará após ter um desempenho considerado acima da expectativa em Fortaleza no ano passado, em que seu candidato, André Fernandes, um nome novo em disputa majoritárias, perdeu no segundo turno para Evandro Leitão (PT), uma diferença mínima, de pouco mais de 10 mil votos.
Michele agitou os bastidores com Priscila Costa
No início deste mês, em Brasília, a ex-primeira-dama e o presidente nacional do PL lançaram o nome da vereadora de Fortaleza Priscila Costa na disputa ao Senado. O potencial político, que deu à parlamentar a maior votação para a Câmara Municipal no ano passado, e a bênção de Michele Bolsonaro ao nome, causou ruídos na estrutura liberal no Ceará.
A vereadora ainda relatou, recenemente, ter sido “encorajada” pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria dito: “a Priscila tem que ir, ela é vereadora, ela já tem mandato, ela não perde nada”.
Aliados locais pedem cautela
Contudo, o apoio nacional gerou “cautela” e “divergências” no PL Ceará e entre lideranças da oposição. A maioria dos mandatários do partido no estado defende que o único nome consolidado como pré-candidato ao Senado é o do deputado estadual Pastor Alcides (PL), pai do deputado federal André Fernandes.
O próprio Pastor Alcides foi enfático ao declarar: “O nosso eterno presidente Jair Bolsonaro bateu o martelo que o candidato dele ao senado é Alcides Fernandes. Eis-me aqui, sou realmente a pessoa indicada pelo nosso presidente”.
Parlamentares do partido no Estado chegaram a criticar a falta de consulta local sobre o lançamento de Priscila. Apesar dos atritos, Priscila Costa reconhece a pré-candidatura de Pastor Alcides e afirma que “os dois nomes estão apresentados como opção”, fruto de uma conversa prévia e mútuo encorajamento com André Fernandes.
Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Reprodução/Instagram
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