Mulher também faz cordel – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

O cordel antigamente

Era coisa masculina

Mas a mulher nordestina

Que já cantava repente

Sem achar que era imprudente

Deu uma de menestrel

Resolveu fazer cordel

E cultura propagar

Pois muito tem pra contar

E faz bem este papel.

*

Hoje fazem recitais,

E peleja virtual

O seu folheto é real

Com histórias geniais

Não tem só suspiro e ais

Em folheto de mulher

A fêmea sabe o que quer

No repassar da cultura

Coisa que a literatura

Atualmente requer.

*

É com gosto e competência

Que a mulher entra na roda

Canta verso e vira moda

E até passa a ser tendência

Pois com jeito ou imprudência

Ela ocupa o seu lugar

Porque bem sabe rimar

A sua sabedoria

Já deixou de ser Maria

Vivendo apenas pro lar.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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