O Santo do mês de maio – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Em meus tempos de criança, trajada de anjo, participei das coroações de nossa senhora. Segui as longas procissões que levavam a santa no andor pelas ruas da cidade. Encantava-me com os animados leilões que angariavam fundos para a igreja. E pelo menos uma boneca de pano eu levava para casa após ser arrematada nos leilões.



O ritual das novenas, as badaladas do sino chamando os fiéis, os cânticos sagrados entoados por homens e mulheres, o véu na cabeça das mulheres, homens sem chapéu em respeito ao divino e a cidade repleta de pessoas vindas do interior a juntar-se com o povo da cidade. Tudo isso se modificou ao longo dos anos, mas a chama continua viva.



Hoje além das novenas na igreja matriz cada comunidade faz também suas novenas. A Santa é conduzida pelos grupos católicos, as humildes casas que são singelamente enfeitadas com flores e toalhas brancas e num altar improvisado é rezado o terço na presença da imagem da Virgem Santíssima. Assim, de casa em casa a santa segue em sua peregrinação alimentando este ato religioso.



O Arco de Nossa Senhora, em Ipueiras, continua sendo um dos lugares onde durante todo o mês de maio reza-se o terço ao ar livre às seis horas da tarde.


Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
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