Por instantes, isso me leva aos anos 80 quando para cá trouxemos Celso Furtado então retornado da Europa para que nos falasse sobre as perspectivas que tínhamos para a região .
O auditório Castelo Branco tornou-se pequeno para tanta ocorrência, aos gritos “concha-concha-concha” de ávida busca de vias contra o arbítrio. Celso aceitaria antes passar pelo Centro Industrial do Ceará, para breves palavras no vácuo de palestrante não vindo. Depois, voltaria para estar com “os então jovens empresários”, e discorrer sobre “Dos ideais do CIC a uma prática de governo.”
Novo ciclo. Tal ideário esgota-se: “Eu considero que são 15 anos. O ciclo de Vargas fora 15 anos (…) O próprio ciclo da República, da Constituição de 1946, durou de 1946 até 1964: 18 anos”. Ouço de Gonzagão e Zé Dantas (médico) as admoestações após seca dos anos 50: “Mas doutor uma esmola para um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Ou, na versão, da CNBB: o “clientelismo governamental” distorcendo a “bolsa família” na busca da droga, da violência e do crime.
Algum tempo atrás, participo, a convite de Rosa Furtado, presidente Cultural do Centro Internacional Celso Furtado, e de Robert Smith (BNB). Em novo ciclo, a Região hoje busca um novo Nordeste. Persiste-lhe, porém, recobrado, o mesmo norte: “Quando o projeto social dá prioridade à efetiva melhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento”. Norte que nos seduzirá aos muitos que agora perseguimos a metamorfose feito estrela na Região e no País. Assim seja!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).