Para melhor entendimento do leitor, aí vai um conceito de Anomia:
Segundo Michaelis – Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, o polissílabo anomia (a.no.mi.a) é um substantivo feminino que representa “1 Ausência de lei ou regra; anarquia. 2 Estado da sociedade no qual os padrões normativos de conduta e crença têm enfraquecido ou desaparecido. 3 Condição semelhante em um indivíduo, comumente caracterizada por desorientação pessoal, ansiedade e isolamento social”.
Nesse campo, quem leva a píor, como sempre, aliás, é quem paga a conta, o contribuinte.
Vamos por partes: segundo a informação que me foi passada inclusive de fontes oficiais, é que o contribuinte paga um contingente de policiais-militares que não podem aplicar multa ou ficalizar o trânsito tudo porque falta um convênio entre prefeitura e governo. É comum observar um carro da PM, parado, os policiais do lado de fora e o trânsito todo complicado, mas eles não buscam oferecer solução – que pode ser o simples fato de assumir a orientação do tráfego debaixo de um semáforo quando a luz vai embora.
A idéia que se passa em Porto Velho é que essa é uma cidade sem lei, sem normas, onde vale tudo, menos o Poder Público cumprir com sua obrigação, obrigação que, diga-se, é prevista na legislação, uma espécie de letra morta. Entidades como a OAB, o Sindicato dos Jornalistas, a própria Igreja, já deveriam estar pressionando para ver cumprida a Lei.
Temos milhares de pessoas dirigindo motocicletas, uma parcela considerável com a camisa citando “moto-táxi”. Parece que os motoqueiros, de forma geral, desconhecem a legislação. Ultrapassam pela direita, mesmo que você vá com seu carro na faixa da direita; fazem “s” mesmo com o trânsito pesado e, moto-taxistas ainda vão mais longe: na ânsia de pegar um passageiro, atravessam pela frente dos carros, e salve-se quem puder!
Ciclista dirigindo na contra-mão; pessoas andando no meio da rua, como se fosse a sala de visita de suas casas; inexistência de faixas de pedestres; motoristas que desrespeitam regras mínimas de segurança; órgãos públicos, igrejas e empresas que fecham trechos de ruas como se fossem propriedades particulares – enquanto quem estaciona na área para isso preparada no calçadão do Sesc leva multa.
A lista de irregularidades é grande, mas enquanto perdurar o estado de anomia, enquanto o poder público continuar inerte, enquanto a sociedade preferir saber quem morreu em mais um crime de trânsito do que protestar e pressionar os responsáveis pelo caos, o quadro vai continuar como está, lamentavelmente”
Inté outro dia, se Deus quiser!
José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.