Nos jornais, observo as discussões sobre carreira e papel do professor, no Ceará, o 4º. piso salarial do País. E releio artigo que, em 2002, escrevi sobre “Violência nas escolas“, onde cito pesquisa em escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Nesta, a violência se destaca em três planos: a) a física (golpes, ferimentos, crimes e sexual); b) as incivilidades (grosserias, humilhações e desrespeitos); c) a simbólica (falta de sentido na escola, alunos postos à margem do social, atores escolares em atrito, os bullyings enfim).
Na terra de Iracema, os alunos não se toleram (52%, o mais alto índice no Brasil), detestam as aulas (44%), a administração da escola (12%) e o atrito entre os mestres. Escola, lugar nada prazeroso, de brigas e conflito para a solução dos problemas, de assédios sexuais de origem docente e de violência física e verbal. Medidas mais sugeridas: vigilância policial na escola e entorno, diálogo entre alunos e professores, direção das escolas e famílias, parceria enfim entre escola e comunidade.
Recordo-me, quando presidente do Conselho de Educação do Ceará, conseguimos reunir, em legais portas fechadas, os mais importantes atores da educação escolar. De jovem líder estudantil, ouvimos ásperas críticas. Dirigente da reunião, propus-lhe trocarmos de lugar. Ele, em tal papel, ouviu, de mim “estudante“, o relato. E, surpresa geral, deu-nos a todos razão…
A violência há que se discutir entre os atores principais da educação (escola, família e sociedade). E isso em todos os seus aspectos a desenvolver-se na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino, nos movimentos sociais, organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais, aí inclusos os meios de comunicação, informais agentes de nossa educação (Art. 1º. da LDB).
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
