O Tetéu me avisou – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Ouvi a zuada do Tetéu
Eu olhei para porteira.
Vi meu amor chegando
Meti os pés na carreira.
Me joguei em seus braços,
E foi tanto beijo e abraço,
Que me deu até tonteira.

Entre nós dois se jogou
O cachorro de estimação.
Um velho vira-lata,
Que atende por barão
Latindo e abanando o rabo
Demonstrando satisfação.

Hoje a galinha caipira,
Vai cheirar lá na panela
Vou fazer como ele gosta,
Com pirão e à cabidela
E vou separar pra só ele
Coração fígado e moela.

Uma cachacinha já tem,
Vou ao pé buscar cajá.
Um suco bem refrescante,
Ligeirinho vou preparar,
Vou caprichar no almoço,
Sem me esquecer do jantar.

No terreiro à noitinha
Vai ter dança e cantoria
Para celebrar a volta,
De quem é minha alegria
E que longe de casa, feliz,
Por certo jamais viveria.

Mas a festa só se acaba,
Ao matar a minha sede.
Suando junto com ele
No balançado da rede.
O armador que agüente!
Pra não cair da parede.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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