O bode ioiô – Por Bérgson Frota / Fortaleza

Fortaleza conheceu na primeira metade do século XX, uma figura popular e pitoresca. Era um bode que com desenvoltura circulava entre os cafés boêmios da cidade, fazendo uma rota que mais lembrava um ioiô.

Sua história é um pouco rocambolesca, mas ao mesmo tempo curiosa.

Na seca de 15, chegou a Fortaleza um sertanejo trazendo consigo como único bem, um bode. O retirante necessitado vendeu o animal à Rossbach Brazil Company, conhecida empresa inglesa instalada na Praia de Iracema.

O bode logo tomou gosto pela cidade e com certa familiaridade circulava pelas ruas, indo diariamente à Praça do Ferreira, centro da cidade na época onde funcionavam os principais cafés.

Em pouco tempo, o bode já era tratado com familiaridade pelos freqüentadores e transeuntes que faziam quase sempre a mesma rota do caprino.

Ioiô ficou famoso por freqüentar cafés aonde iam grandes escritores tais como o famoso e inesquecível Java. Muitos dos boêmios e poetas relatam em obras da época fatos sobre o carismático bode Ioiô.

O bode era portanto, um “membro” da elite intelectual da cidade, participando de atos políticos em coretos e praças.

Corre a lenda urbana de que na inauguração do Cine Moderno comeu a fita inaugural do mesmo.

O bode Ioiô foi para muitos uma figura caricata e para outros um personagem que em muito incorporava a íntima relação do cearense com o humor e a brincadeira.

Quando faleceu em 1931, Ioiô foi empalhado e até hoje pode ser visitado no Museu do Ceará.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

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