Já vimos esse filme… – Por Lúcio Cavalcante de Albuquerque / Rondônia

Duas testemunhas idôneas, o empresário João Lobo e o professor Abnael Machado de Lima contaram a mesma história a este escrivinhador de mal traçadas linhas. Em 1964, quando a “redentora”, aconteceu no Brasil, em Rondônia houve um caso inusitado: o capitão Anacreonte, que apareceu por aqui como representante da “redentora”, tirou do governo do Território, e prendeu a todos os membros, inclusive o prefeito de Porto Velho, sob alegação de “corrupção”. E colocou no governo outro grupo.

Só que quem estava no governo eram membros do partido liderado nacionalmente pelo governador paulista Adhemar de Barros, apoiador de primeira hora da dita cuja “redentora”. E o novo fuhrer colocou no governo membros do PTB, partido ao qual era filiado o presidente João Goulart, defenestrado da função pelos “redentoristas”.

Entenderam? Ninguém entendeu, conforme o professor Abnael Machado. Pior ainda que, conforme João Lobo, em entrevista em 2004 na Escola do Legislativo “botaram os comunistas no quartel da 3ª Companhia (atual 17ª Brigada), no alojamento dos oficiais e os caras do partido que tinha dado o golpe no xadrez da Guarda Territorial (atual Polícia Militar”, localizado onde hoje é a sede do 1º BPM, na Arigolândia.

O que tem a ver com o “Já vimos esse filme…”, título do comentário, perguntarão os que se derem ao trabalho de ler essas mal traçadas linhas. Refere-se o título ao fato político, de já ter acontecido em Rondônia, há 45 anos e alguns meses, o que estamos vendo acontecer agora no Brasil onde “nunca antes neste país”.

Ora, os mandarins durante mais de 25 anos “venderam” a idéia de que havia autênticos demônios que deveriam ser afastados sem trégua de dentro do círculo do poder: José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Color, apenas para citar três, mas há mais, muitos mais, como aconteceu em recente eleição municipal paulistana, quando Paulo Maluf fez campanha para a ex-ministra Marta Suplicy, a da famosa frase “relaxa e goza”. Paulo Maluf pedindo voto para o PT? Claro, da base aliada….

Aí, no poder, eis que os diabos já não são eles, que passaram a ser chamados de “base aliada”, mas sim outros que durante muito tempo estiveram junto aos senhores atuais do feudo. É só olhar em volta.

Para nós, de Rondônia, nada de novo no front. Já vimos esse filme, talvez nem tanto com a cara-de-pau de agora.

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

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