Trovões primeiros, os que, sob provocação da Federação das Indústrias do Ceará, irmanaram as faculdades ditas “privadas” e “isoladas”, em torno da “responsabilidade social”, na formação dos graduandos.
“Uma boa ideia” – saudou-a Jamil Cury, em coro com vultos outros do Conselho Nacional de Educação, na iniciativa, emblema de caminhada sob o diapasão desta “era do saber”, onde a escola – não mais a fazenda, a indústria ou o banco – é reator da economia e da vida. É o próprio homem, em suas múltiplas formas de inteligência (nelas inclusas a emoção e a espiritualidade), que se faz enfim “capital…social”, imbricado por natureza na teia da convivência entre os homens, onde universidade é “indústria do saber” e, como tal, há de ter lugar em nossas federações da indústria. Capital e trabalho, em dueto, deságuam na “iniciativa social”, a superar os campos do “estatal” e do “privado” e a compor o plural acorde do “público”.
Do outro lado, nossa universidade-matriz, a UFC, emite sinais em convergência com este caminho, ao romper os limites já gastos de seu … “PC do B” (o Pólo Cultural do Benfica) – fugindo ao tom do “longe do estéril turbilhão da rua” de Bilac, da insulada cidadela de alunos e mestres a celebrar o “a-útil”, do Cardeal Newman, e a fechada “corporação dos pesquisadores” de Humboldt – e reeditar, nestes tempos de Lula, o “contrato social” de Rousseau.
Nesse clima, eis que os Conselhos de Educação descobrem-nos “federação” (de ‘foedus’, em latim ‘aliança’) e, dela, as ferramentas da “colaboração” e da “negociação social”, na busca do novo.
Cairá a produtiva chuva? Sim, se o espírito for o de transpor guetos e águas menores, e, no abraço sinfônico da “água grande!” .
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, em 27/12/2002 de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).