Desde os anos 60, nas funções que ocupei, sobretudo na Universidade Federal do Ceará, captei, das relações entre O POVO e a inteligentzia do Ceará, a concordância com o lema “O universal pelo regional”, que Martins Filho legaria à UFC, acorde com o “poder de pauta” de Demócrito a O POVO. Pauta de uma caminhada em que teriam que se articular cabeças (os intelectuais), mãos (os gestores públicos e sociais) e tato (os políticos).
Basta mirar, em retrospecto, as históricas iniciativas conjuntas entre nossas universidades (a UFC sobretudo): os simpósios, os festivais de cinema e audiovisual, os programas de responsabilidade social, os cursos de educação à distância, a editoração de livros e periódicos, entre muitos outros.
Saudade, presença dos ausentes (Olavo Bilac). Demócrito, em nós que ficamos, nos é sensível presença. Presença nos meios de comunicação de O POVO, em que o poder de pauta evoca o poema de Demócrito Rocha, O Rio Jaguaribe, a desaguar, presença sensível no jornalismo de nossa plural sociedade, na ágora e no agora, em busca do “longo amanhecer” de que nos falaria Celso Furtado, hoje em outra vida, aqui trazido, em 1984, pela UFC e O POVO: “o do crescimento econômico a se metamorfosear em sustentável desenvolvimento”.
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).