Demócrito Dummar a meu lado, coube-me dela extrair as visões em abraço entre o logos (história real) e o mythos (história imaginada).Ensaio-e-erro a buscar um “sentido”: o quebrar a flecha da paz, entre o guerreiro branco e Iracema.
Moacir, o cearense filho da dor, a construir futuros por terras estranhas. Aqui, rios a oscilar entre a solidária grandiloqüência das cheias e o solitário das secas.
Anos 60, VT e a União pelo Ceará; anos 80, o Pró-Mudanças, Celso Furtado, feito guru, o crescimento a metamorfosear-se em desenvolvimento.
Litoral e sertão, em luta histórica.A irmaná-los, a profecia do Conselheiro: “o sertão a virar mar, o mar a virar sertão”.
O caminho das águas, a bandeira branca. Agora, hegemonias em cacos, mas “caos produtivo”.
Nossa educação (indústria científico-cultural), entre as piores do mundo.Agricultura, nem mesmo a familiar. Indústria, o curto fôlego, só a da construção civil.Febre, a efêmera das bolsas(mercado e família).
Inteligências múltiplas e verbo, em babel, na construção de ansiado amanhã.
“Janela de esperança” abre-nos a obra.Recobra-nos as cheias. Sepulta-nos solidões e arranhões.
Reacende-nos a luminosidade do inacabado filme de Orson Welles e o “aqui tudo se mexe” dos cineastas nos festivais nacionais e internacionais que aqui realizamos.
No Museu Histórico e Antropológico, observa-nos, inquieto, o Bode Ioiô, ícone dos laços entre arte, política e boemia, a nos relembrar que, desde o 13 de Maio, o Ceará Moleque proclama que aqui o sol nasce mais cedo.
E se não, repete-se a cena de, sonolento, ser vaiado, em plena Praça do Ferreira!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).