No táxi, o motorista quer saber se, em mim, persistem ainda laços com a educação – mote para que ele vomite queixas de escolas a ruir abandonadas, professores mal preparados e desmotivados, alunos sem ofício e futuro, em meio a propaganda narcísea de nossos governos.
Vácuo do pós-almoço. Eu na secção eleitoral. Lá, visual agressivo, cartazes, adesões, tudo a clamar por uma universidade em harmonia com amplo projeto social no Estado. Ante a urna, identidade de mim exigida. Puxo cartão a comprovar-me “professor titular”. Na saída, colegas chegando. E, para meu espanto, em seu rosto, a esperança das relações entre o “fora” e o “dentro” do mundo acadêmico a recobrar-se.
Já em casa, abro os jornais. USP e Unicamp, as únicas brasileiras no rol entre as 200 melhores universidades do mundo, onde, nos 10 primeiros lugares, figuram norte-americanas e britânicas, de acordo com o Times Higher Education Supplement, que se louva na opinião de acadêmicos, companhias que empregam recém formados e de outros países, e das pesquisas realizadas no mundo universitário.
Volto aos anos 80, quando, na UFC, no simpósio “Para onde vai a universidade brasileira?”, o “dentro” e o “fora” das IES do País viam a academia, num mundo pós-indústrias de chaminés, como indústria do conhecimento a gerar capital humano. E, aqui, na FIEC , a ter assento embora simbólico… Hora de sanar arranhões a erguer pontes para o amanhã.
Aqui, onde o sol nasce mais cedo!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).