Colégio São João – Por Bérgson Forta / Fortaleza

Sábado, inverno, começo de noite.

Parei o carro lentamente no estacionamento e quase que de forma mecânica dirigi-me ao supermercado.

O céu anunciava mais chuva que viria a acompanhar o sereno fino já caindo desde o meio-dia.

Fortaleza estava fria, era abril.

Entrei rápido e logo peguei um carrinho. Não demorou encontrei um colega. Perguntou-me pela graduação e faculdade, respondi e soube também um pouco de como ia sua vida.

Depois de alguns minutos de conversa, ele levantou o queixo numa direção como a apontar, olhei rápido e não pude me conter com o que vi.

Acima de um balcão de conveniências, precisamente na parede atrás, estava uma grande foto da entrada do Colégio São João.

Só então me situei. Estava no Pão de Açúcar São João, local do antigo colégio onde na década de 80, havia feito o científico.

Pensei no lugar que ora pisava, quase sagrado para mim. Acho que no passado estaria no que foi a secretaria, atualmente secção de frios e laticínios.

Olhei novamente a foto. Soube pelo amigo que havia sido posta a pedido de um ex-aluno.

Vi a escada de entrada que levava à secretaria, tantas vezes subida por mim, o portão à esquerda, que barrava quem chegasse fora de hora. Foto grande em preto-e-branco, mas de boa qualidade. Como dizem os chineses uma imagem vale mil palavras e como esta frase valia para mim naquele momento.

Após alguns minutos despedi-me, e com uma certa urgência fui abastecer-me.

Ao sair do estacionamento senti-me tomado por uma branda nostalgia.

Às vezes o tempo passa tão rápido que sequer dá trégua para nos acostumarmos com as mudanças, pensei.

Naquela noite sonhei estar no Colégio São João, era intervalo, conversávamos animadamente, enquanto o vento balançava a grande árvore que havia no centro do pátio. De repente o sinal para o início do segundo tempo tocou. Acordei de súbito com o barulho de um forte trovão.

Era só um sonho em uma noite chuvosa e fria.

Deitei-me e procurei conciliar-me novamente com o sono, logo tudo foi apagando, e o som forte dos pingos da chuva foram ficando mais e mais distantes, até finalmente tudo silenciar, inclusive as lembranças que teimosa minha memória luta em preservar.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

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Uma resposta

  1. PARABÉNS PELO TEXTO…EMOCIONA…A IDÉIA DE UMA REUNIÃO COM EX-ALUNOS NA PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO DO PÃO DE AÇÚCAR SÃO JOÃO É EXCELENTE….EM TEMPO: A FOTOGRAFIA QUE FICAVA EXPOSTA NA ENTRADA DO SUPERMERCADO FOI REMOVIDA PARA OUTRO LOCAL…VAMOS REIVINDICAR O SEU RETORNO PARA O LOCAL DE ORIGEM….

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