De volta, o “passar a limpo” de Darci Ribeiro. E, nessa linha, os ciclos (econômicos e políticos), de Celso Furtado, esgotáveis – 15 anos em média, a classe política despreparada para enfrentá-los. Dito em 1984, aqui, onde o sol libertário nasce mais cedo. De lá para cá, a democracia não mais se contém “império da maioria”. É bossa nova a compor “dissonantes acordes” de respeito às minorias: intelectuais a lhes dar verbo; gestores (públicos e sociais) a torná-los ação; o tato político a captá-los. Isso, por ironia, justo quando o “capital humano”, entre nós, é desperdiçado pelo “cansamos”, a solidão, a fossa. Só na UFC, 254 docentes, em depressão. Mulheres (diz-me a ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luíza Fontenele), em maior número. Isso, na terra de Iracema, “a porção feminina da alma nacional”.
Menos arrogantes, os partidos também se passam a limpo, buscando o olhar social até em atrito com o dito “discurso necessário” de antes. A educação, nau sem rumo a morrer na praia, descobre que, sem o porto da cidadania e do trabalho, é estelionato social. E professor, se “empregado de aluno” ou “jumento de verdureiro”, é condutor sem remo. Miragem, o pregão das bolsas (a do mercado e as do tipo família), sem o horizonte do desenvolvimento (agrícola, industrial e dos serviços), a viciar o cidadão.
Passar a limpo o País com outro “era uma vez”. O da cigarra e a formiga, trabalho e arte em dueto, a nos recobrar a ufania perdida!
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).