Amanhece, um dia de sol e céu claro, cheio de nuvens correndo com o vento que sopra forte.
O menino levanta-se, toma rápido um banho e depois de um reforçado café, vai correndo despreocupado viver o dia.
Na mente a alegria das brincadeiras, o companheirismo dos amigos, todos da sua idade, uns magros outros gordos, morenos, brancos e negros. Despreocupado junto aos seus, todos de olhos grandes e risos fáceis, sonhadores a espantar-se de tudo.
Em casa, os brinquedos o esperam quando ele se cansar da rua, seja cedo ou tarde, silenciosos não hão de reclamar a demora, e sempre estão à disposição daquele pequeno ser, agora postos arrumados na estante, depois então espalhados pelo quarto.
O menino tem uma bola e também cão, em geral maior que ele, mas ele é o “mestre”. O cão é amigo, mascote e um grande protetor.
Na hora de estudar, faz seus deveres concentrado, e se aparece um pássaro na janela cantando, ou se o papagaio grita nomes na cozinha, ele ri, e desconcentrado procura com esforço voltar aos deveres.
O dia demora, e ele sai logo depois.
Junta-se novamente à turma, mas na hora do desenho está sem falta diante da televisão, concentrado acompanhando os episódios de seus heróis.
A alma crescente da criança continua em gestação naquele pequeno corpo que não pára de ter medidas novas. Que sem parar vai crescendo nas alegrias e sonhos, nas fantasias, estas que finalmente um dia passarão.
Com os sonhos a concretizar, o menino vai crescer, tornar-se maduro e responsável. E as alegrias, brincadeiras e fantasias de hoje, lhe farão lembrar e entender um dia a infância, o sagrado e verdadeiro valor de ser criança.
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.
