Histórias de Tia Isa – Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Hoje dia nacional do livro infantil bateu forte em meu peito, as saudades, do interior, das calçadas, dos alpendres, e da maior contadora de história, patrimônio cultural, da cidade de Ipueiras, minha tia: Isa Catunda de PinhoNascida e criada na Cidade de Ipueiras, em 13 de maio de 1911, carrega hoje, uma imensa bagagem, de quem nas páginas dos livros viajou o mundo inteiro.

Essa viagem cultural, era pouco para ela, queria muito mais, e feito uma fada com seus pozinhos mágicos ela conseguia repassar esse mundo encantado, das lendas, dos contos de fadas, a meninada, que hipnotizada com as mágicas palavras, faziam rodas e mais rodas para escutarem as fantásticas histórias da Tia Isa.

Se Hans Christian Andersen encantou o mundo com suas maravilhosas histórias como: “O Patinho Feio”, “A Pequena Sereia” e “O Soldadinho de Chumbo”, seguindo o mesmo exemplo, nos encantou Monteiro Lobato, criador da literatura infantil no Brasil com suas histórias genuinamente brasileiras, entre elas “O Pica-Pau Amarelo”, “O Saci”, “Reinações de Narizinho”, “O Marquês de Rabicó”, Minha tia Isa não deixou por menos, encantando gerações e mais gerações com a magia de suas histórias. Como: “O Gato De Botas”, “Moura Torta”, “Gata Borralheira” e tantas outrasNunca pude esquecer a história da madrasta que enterrou duas crianças vivas, num jardim. Tinha uma parte que era contada em versos e dizia assim: Jardineiro do meu pai/ não me corte meus cabelos/ minha mãe me penteou/ minha madrasta me enterrou/ pelo figo da figueira/ que o passarinho beliscou.

Hoje tia Isa tem seus 96 anos, de uma lucidez, invejável, ainda ler, e ainda conta velhas histórias. Adora ampliar seus conhecimentos lendo novas histórias. Seu presente preferido é um bom livro.

Sempre tive o sonho de ter uma biblioteca em Ipueiras, há anos guardo livros, e se um dia eu chegar a realizar esse sonho. A biblioteca receberá o nome De minha tia. Muito dos livros que tenho, são repassados por ela.Além de ter uma profunda admiração, por essa mulher, tenho uma imensa gratidão pois um bom leitor se faz em criança.

O professor por vocação, traz em sua bagagem o dom de encantar, mas esse encantamento é uma conquista de poucos, e minha tia não ocupou apenas uma cadeira, ocupa até hoje, o coração de seus alunos, que para ela não eram apenas um numero tinha nome e endereço.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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