Meu pai amado – Por Beto Costa / Rio de Janeiro

Há três meses tenho acordado uma hora e meia antes do despertador para limpar a varanda. Tem sido assim desde que adquiri um cãozinho da raça beagle, conhecida por ser ativa, curiosa e muito arteira. Foi inspirado nesse canino que Charles M. Schulzé criou, em 1950, o famoso personagem Snoopy. Desde então, as tiras impressas desse divertido personagem foram ganhando espaço e hoje contam com 355 milhões de leitores por dia em 75 países, totalizando 2.600 jornais. Os desenhos animados são assistidos por 6,6 milhões de telespectadores apenas no canal pago, Nickelodeon, nos Estados Unidos. Isso sem mencionar os acessos ao site oficial, que recebe uma média de dois milhões de visitas diárias.

Com esse sucesso estrondoso, o nome do meu animal de estimação não poderia ser outro a não ser Snoppy. Além de brincalhão e muito carinhoso, uma outra carcterística me chama muita atenção: a sua devoção. Ele pode estar brincando com o pano que tanto gosta, mordendo e jogando de um lado a outro, que pára tudo ao me ver. Ele pode estar comendo, mas basta ouvir o barulho do portão que pára tudo e vem balançando o rabinho para me recepcionar, esquecendo até da fome.

E assim como na ficção, em que o cão é mais esperto do que o dono, o meu Snoopy, com infinito carinho, me ensinou uma coisa muito importante e que muitas vezes passa despercebido.

Naquela tarde, ao fazer carinho na cabeça dele, refleti sobre algumas situações para as quais por egoísmo não dou a merecida importância… Quantas vezes largo o trabalho que trago para casa para dar atenção aos meus filhos? Quantas vezes abandono o cansaço de um dia exaustivo para planejar com calma a viagem das férias? Quantas vezes deixo de lado a pelada de fim de semana para passear com a família? Quantas vezes desligo a televisão para ouvir como foi o dia da minha esposa? Quantas vezes reservo um tempo exclusivamente para agradecer a Deus por tudo?

Nesse domingo será comemorado o dia dos pais, então percebi que no auge dos meus 29 anos de idade não me lembro quando falei – se é que falei alguma vez – eu te amo ao meu coroa. O presente eu já havia comprado: um DVD de bang-bang do John Wayne e um CD de chorinho. Mas será que isso é o bastante? Foi quando decidi escrever uma mensagem. E talvez tenha sido a primeira vez que eu tenha sido verdadeiramente porta-voz do meu coração.

Beto Costa é jornalista

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