Com esse sucesso estrondoso, o nome do meu animal de estimação não poderia ser outro a não ser Snoppy. Além de brincalhão e muito carinhoso, uma outra carcterística me chama muita atenção: a sua devoção. Ele pode estar brincando com o pano que tanto gosta, mordendo e jogando de um lado a outro, que pára tudo ao me ver. Ele pode estar comendo, mas basta ouvir o barulho do portão que pára tudo e vem balançando o rabinho para me recepcionar, esquecendo até da fome.
E assim como na ficção, em que o cão é mais esperto do que o dono, o meu Snoopy, com infinito carinho, me ensinou uma coisa muito importante e que muitas vezes passa despercebido.
Naquela tarde, ao fazer carinho na cabeça dele, refleti sobre algumas situações para as quais por egoísmo não dou a merecida importância… Quantas vezes largo o trabalho que trago para casa para dar atenção aos meus filhos? Quantas vezes abandono o cansaço de um dia exaustivo para planejar com calma a viagem das férias? Quantas vezes deixo de lado a pelada de fim de semana para passear com a família? Quantas vezes desligo a televisão para ouvir como foi o dia da minha esposa? Quantas vezes reservo um tempo exclusivamente para agradecer a Deus por tudo?
Nesse domingo será comemorado o dia dos pais, então percebi que no auge dos meus 29 anos de idade não me lembro quando falei – se é que falei alguma vez – eu te amo ao meu coroa. O presente eu já havia comprado: um DVD de bang-bang do John Wayne e um CD de chorinho. Mas será que isso é o bastante? Foi quando decidi escrever uma mensagem. E talvez tenha sido a primeira vez que eu tenha sido verdadeiramente porta-voz do meu coração.
Beto Costa é jornalista