O famoso buraco era a prova viva de um assassinato e de uma promessa de vingança cumprida e costumeira nos antigos sertões nordestinos.
Desde sempre tive interesse em esmiuçar essa história que virou lenda em Ipueiras, o buraco que resiste a ação do tempo, e permanece aberto para quem quiser confirmar a veracidade, ou não,da história.
Tudo começou quando mataram um membro da família Leite.O assassino foi preso, porém, depois de certo tempo ganhou permissão para passar os domingos em casa, voltando antes do anoitecer para dormir na cadeia.Os irmãos da vítima inconformados com o crime, juraram vingança e prepararam uma emboscada para pegar o assassino.
O cenário do acontecimento era o cemitério e redondezas, no dia da perseguição foi um corre-corre danado, bala de revolver para todos os lados, mas nenhuma acertava o criminoso que se esquivava entre túmulos e cruzes.
Também corria um boato que o criminoso tinha o corpo fechado e uma bala comum jamais alcançaria seu corpo. Sabendo disso, um sujeito da família dos Militão trouxe uma espingarda lazarina com uma bala de ouro e entregou um dos irmãos do finado para dar continuidade a perseguição, enquanto isso, o perseguido pulou o muro do cemitério e correu o mais que pode, em vão, pois logo foi atingido pela bala de ouro da lazarina que atravessou o seu corpo e pipocou no chão abrindo um buraco que jamais se fecharia denunciando para sempre o lugar do crime.
Dizem que o assassinado mesmo atingido chegou a correr alguns metros até tombar perto de uma grota onde até hoje existe uma cruz.
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará