Liberdades políticas, fundamentais a construir, com emprego e renda, o desenvolvimento. Cristiane tem outro olhar: “Vivendo e trabalhando no interior (…) percebe-se que tal liberdade não existe. É pura utopia. Não há liberdade do povo e nem desenvolvimento”. Relevante, diz Cláudio, o papel da educação na construção da democracia participativa, muito chão, no Ceará, por andarmos: “Do total, 603.522 são analfabetos e 1.598.126 têm o lo. Grau incompleto. Apenas 90.373 possuem superior completo”. Contraponto: “(…) um dos interesses – seja ele municipal, estadual ou federal – de não haver investimento sério com a educação é formar os ‘currais eleitorais’ (…) mais fácil controlar o voto numa sociedade sem informação, que nos vem com a educação”.
Cristiane é contra a “segurança protetora das bolsas”: (…) leva à falta de mão-de-obra para trabalhos rurais (…) o trabalhador sabe que vai receber sem esforço algum… (…) “pai aposentado, mãe e cinco filhos maiores, ninguém trabalha mais (…) Vivem todos da aposentadoria do patriarca” (…) “Os filhos homens vivem na cachaça e partem para os assaltos (…) “A marginalidade, o alcoolismo e a prostituição estão aumentando”. E conclui: “(…) base de tudo, a educação” (…) a levar o homem do campo a ficar no campo”. Tudo, sob o lema do “não lhe dê um peixe, ensine-o a pescar”.
Chegam-nos avais a Cristiane. Um deles, o da profa. Maria Adélia de Sousa (USP), a propor “novo discurso político para o País”: “Não há como refletir sobre o mundo novo, especialmente numa região pobre como o Nordeste brasileiro com as teorias, conceitos e significados do século XX”.
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).