Era ainda manhã cedinho quando recebi como presente de aniversário de um tio, o selo que comemorava os 1.000 gols de Pelé, exultante fui correndo por no meu álbum a valiosa estampa, e nela mirava o rei do futebol comemorando num pulo seu grande feito.
Ainda criança pensava no rei e na façanha incrível daquele grande jogador.
Os anos passaram, e o feito ficou marcado de forma indelével em minha memória.
Então surgiu Romário, também com seus muitos títulos e os 999 gols, contados e comprovados.
O “baixinho” procurava como Pelé marcar o gol mil. Fosse talvez como presente dos deuses no Maracanã, templo maior do futebol mundial, ou como foi o acontecido no estádio de São Januário.
Romário fez o gol mil, e emocionado após cobrar com êxito um pênalti, seguiu em volta olímpica com todo o estádio a lhe acompanhar, vibrando pelo feito.
O jogador que corria pelo campo, com os olhos marejados de lágrimas, levantava uma conquista pessoal e coletiva. Assim como ele, o povo brasileiro se viu vencedor, e se antes mil gols era coisa de rei, agora passava a ser do lutador, daquele simples jogador ou do afamado de glórias que tem sempre a sua frente grandes objetivos e se não os tem, cria-os e segue adiante para vencê-los.
Romário é antes de tudo hoje, o jogador que encarna antigos valores, menos comerciais, mais sentimentais. Frutos de gana e garra, arquétipo puro, lapidado e perfeito do que foi e é a definição do verdadeiro jogador brasileiro.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.
