Explode, coração! – Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

“Chega de tentar, dissimular (…) “o que não dá mais p’ra ocultar”. Nós, em educação, “entre os últimos do mundo”!

Bordões, antes ocos, ora se enchem de crédito. “Não basta!”, diz Buarque, sobre os planos do MEC. “Chega de promessas vazias e discursos divorciados da ação” (ex-reitor Antônio Albuquerque, da UFC).

O professor, “vigilante em seu aperfeiçoamento”, diz-nos Evani ldo Bechara, “apesar de toda sorte e desamparo”, aí está a mostrar sinais de “inquietude e desilusão”, fugindo para “ocupações de salários menos vis”, ante soluções que tardam “mais do que é possível suportar”.

Ao “poder da caneta”, os docentes pedem tom mais “pão, pão; queijo, queijo”, ao expressar suas dores: “palhaços de alunos”, hoje, na escola privada; clientes a lhes exigir distorcido produto – o diploma, estelionatário cheque-sem-fundo. Professor, “jumento de verdureiro”, porta a porta, por entre violências de tribos e gangues, em busca do suado pão nosso. Todos já fartos “do lirismo bem comportado” e “funcionário público” dos sindicatos, “com manifestação de apreço a seu diretor” ( Bandeira ).

No Piauí, eleito melhor escola no País, o discreto Dom Barreto , Por terra, o enganoso marketing dos primeiros lugares. Portos, postos ao chão: profissional, cidadão e pessoa (CF) ou os mundos do trabalho e da prática social (LDB), inerte o Ministério Público.

Volto a palestra, na FIEC , em 1997, do Embaixador do Brasil na Indonésia, trazido por Albuquerque (no Sebrae), a falar do novo, nos quatro cantos do mundo e a nascer, pragmático, com os direitos sociais a anteceder os políticos. Modelo para o Brasil? Sim, mas para lugares como o Ceará, onde o libertário sol sempre nasceu mais cedo!

Como Gonzaguinha, “quero sentir a dor dessa manhã nascendo” (…) “Não dá mais p’ra segurar, explode coração”!

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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