Fim do ciclo dos militares. Eduardo Portella, com o “estou” ministro, a tentar dar verbo ao poder. Ao tempo de Lula, Cristovam Buarque, ministro, dava-nos o recado: “Não nos venham com teses acadêmicas. Mas com atos concretos para o Diário Oficial”. Tempos depois, por ironia, viria o tapa de Lula na mesa a não mais agüentar ministros acadêmicos: “Queremos resultados. Não teses e conversas”…
Um dia, no PSDB, escutaria: “Passou a vez dos intelectuais. Agora é a dos gestores e políticos”. E hoje, no Ceará, voltam críticas a intelectuais que, insensíveis, entre doses de uísque, no ar condicionado, estariam a tachar de clientelismo governamental, distorcidos programas como o bolsa família.
Hoje, caducos os partidos, quer-se amplo contrato social: intelectuais a dar verbo ao tato político e a ação dos gestores em negociado projeto. Nesse clima de refundação, recebo convite. Na reunião, meio “estranho no ninho” tucano, sinto de comunidades do interior e periferias, restrição ao “elitismo de um partido de intelectuais”.
Em educação, nós entre os últimos no globo. O professor, chave para a mudança. A UFC vai às urnas. Nos jornais, a crítica ao autismo de seus atores (docentes, alunos, servidores), no desequilibrado tripé ensino-pesquisa-extensão, de fora a sociedade… De lá, em tom de errata, a promessa de uso do histórico capital humano (incluídos os aposentados) nesse diálogo. Em clima de exigida responsabilidade social. Já era tempo! *PC*
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).