O Rôbo do Roberto – Por Bérgson Frota / Fortaleza

Quando Roberto completou cinco anos ganhou dos pais um Robô. Era um pequeno boneco metálico de cor prateada que caminhava lentamente, piscando luzes e fazendo um som metálico e engraçado, repetindo sempre o mesmo som. Era um brinquedo caro para época e Roberto ficou muito contente com o presente.

O Robô também se alegrou, pois agora não estava mais exposto em uma loja para brinquedos infantis, tinha um lar e um dono que gostava muito dele.

Quando ia dormir, Roberto dava boa-noite ao Robô; quando estudava, o brinquedo estava ao seu lado e, finalmente, nas horas de folga, brincava com o seu belo Robô prateado.

Quando Roberto cresceu e foi para a faculdade, já há muito tempo não brincava mais com o pequeno e já desbotado Robô, mas deixava-o na sua estante de livros sempre à vista – era como um pequeno troféu que ele preservava.

Lá no alto da estante, o Robô tinha saudade dos tempos em que não saía das mãos do garoto, hoje adolescente, mas orgulhava-se dele, afinal um amigo verdadeiro alegra-se pelo sucesso do outro.

Mais tarde, Roberto casou-se e levou para sua nova casa o pequeno brinquedo. Lá, o colocou num lugar seguro e dava prosseguimento à sua vida com a esposa e o pequeno filho que já engatinhava.

Um dia, Roberto resolveu deixar o filho brincar com o Robô. Este, com pilhas novas, começou a repetir o que Roberto quando criança, várias vezes viu e ouviu. O filho alegrou-se e passou a brincar todos os dias com o novo brinquedo até que, com a naturalidade infantil, acabou por quebrá-lo, jogando com força na parede.

O Robô perdeu um dos braços e soltou a cabeça. Roberto correu e pegou o brinquedo com cuidado, olhou zangado para o filho, mas logo parou quando viu nos olhos do pequeno, lágrimas a se formarem. Rapidamente, abraçou o filho e o beijou.

Guardado dentro de uma caixa de sapatos, o Robô, alegre orgulhava-se, afinal não queria que a pequena criança fosse castigada por causa dele, era um brinquedo e logo estaria consertado, pronto novamente para brincar.

Roberto ficou um pouco triste pela quebra do Robô, mas na sua maturidade, entendeu que a alegria do filho era tudo para ele. Teria muito tempo para ensiná-lo a respeitar as coisas que de fato mereciam valor na vida.*PC*

Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.

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