O Dom Barreto inspirou-se no pragmatismo da Finlândia e Coréia do Sul, onde educação se orienta rumo aos até hoje olvidados “mundo do trabalho” e “prática social”, portos da LDB. Isso, sem “conversa fiada e discurso ideológico” (Cláudio Moura Castro). Mola-mestra de tudo, o professor. Pelo incentivo (capacitação e salário), mas cobrança. Depois, currículos a untar faces do “pensamento complexo”, pelo estímulo aos tipos vários da inteligência múltipla (da verbal e emotiva à transcendente) e à multiculturalidade. Isso, pela oferta de campos de estudos desde as linguagens (aí inclusos arte, latim, grego clássico, xadrez) ao esporte. Tudo em tempo integral na escola, os docentes a orquestrar o aprender como troca de saberes (semi-alheio, na expressão de Bakhtin). Nela, leitura mínima orientada de 20 livros, na maior biblioteca do estado. E individualizados computadores, numa Sala do Futuro, a abrir sendas e diálogo pela Web com o planeta. Custo, 1/3 das escolas badaladas e careiras do Centro-Sul.
Paulo Renato, criador do Enem, adverte-nos para o alerta quando o País é dos últimos em educação. De mim, volto ao que, após o Enem, reclamava, em artigo de 13/10/99, como moderna seleção à educação superior: “O vestibular está morto”. Com ardor maior agora quando o modelo antigo se fez caduco, e o marketing, enganoso e custoso. Chego até a pensar, como já ocorre no Sul em mediação na causa pelo Ministério Público… *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).