Por anos, na UFC, coordenei o Ciclo Básico, corrigindo insuficiências anteriores de aprendizagem e embasando a formação profissional, a nos reclamar controle motor para dentistas e cirurgiões, o verbo para juristas, tato para os artistas. Pró-reitor de extensão, o estágio nas favelas, interior do estado e no Acre (com Chico Mendes), exigia-nos responsabilidade e tato sociais.
A presidir o Conselho de Educação do Ceará e o Fórum Nacional de tais órgãos, descobri que o “vestibular”, em sua feição usual, era morto. Vida teria se com as “inteligências múltiplas” (da verbal à transcendente). Aprender é “troca”, diálogo, percepção multiforme do todo, “semi-alheio” nos termos de Bakthin.
Mas, na prática, “tudo como dantes, na casa de Abrantes”. Retórica, a clamar por “universalização, qualidade e sentido”, como se escolas de samba, em passarela nacional. E nós, a morrer na praia, sem sentido: o “mundo do trabalho” e a “prática social” (LDB), a integrar “profissional, cidadão e pessoa” (CF).
Estou convicto. Os atores da CF, escola, família e sociedade, hão de submeter nossa educação a urgente reengenharia, hoje lesiva aos direitos dos consumidores e dos cidadãos. Discriminar os memoriosos em classes a, b, c, d, e, “na minha terra é crime”, diz mãe carioca, a reclamar de escola católica, anos atrás elogiada por mim…
Novo pacto faz-se urgente, em nossa educação (básica e superior). E o Ministério Público é hoje, a meu ver, a única instância orquestradora a nos infundir confiança!… *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).