Lá, era o dito, “São Paulo exporta café; e o Ceará, o talento” – válido este, só se exportado. Um dia voltei e, cedo, abracei o verbo “mudar”, trocando o “contra as secas” pelo “em favor das águas”. E hoje sou dos que pensam que o acúmulo e os caminhos das águas, sem uma mudança cultural, a pouco nos levará. Hypérides Macedo garante que já teríamos água suficiente e que, para o verde das plantas, “basta um tiquinho”. E, ante os aquiescentes olhares dos secretários Pedro Sisnando e Carlos Matos, depõe-nos: “Em Israel, todo cidadão tem um jardim na cabeça”.
Em nossas cabeças, ao invés, habitamos ilusórias “Twin Towers” e os Beach Parks de nosso alienado lazer. E alimentamos vãos sonhos de que, “se der o carneiro”, arrancamo-nos daqui “pro Rio de Janeiro”.
Tempo, pois, de chamar religiosos, artistas, educadores, políticos, a sociedade enfim, para um novo “contrato social” a se assentar na revisão de suas cláusulas pétreas: do projeto de Deus aos nascidos aqui; do pacto histórico celebrado por nós, de Moacir a Tasso Jereissati; da convivência social e humana, afinal. Se, como antes, os sinos celebrarão ou não a mortalidade infantil. Se o sol e o vento, desperdício energético, ainda nos queimarão e açoitarão. Se o semi-árido será ou não a terra da expiação, do “penitencial turismo”.
Questão, pois, aberta aos que, na escola e na sociedade, são responsáveis por este “tema transversal”, em nossa vida e cultura! *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).