É difícil falar em Jatobá sem que o pensamento faminto e cheio de saudades não me transporte imediatamente até o Ceará, e conseqüentemente a Ipueiras.
Cidade pequena, pacata, de povo acolhedor.Cenário mágico de minha infância e juventude, onde o velho Jatobá feito cobra gigante majestosamente serpenteia a cidade.
Jatobá na língua guarani significa “folha dura” ou “árvore de fruto duro”.
E hoje, esqueço um pouco o velho Jatobá para falar dessa frutinha gostosa, diferente, que também fez parte da minha meninice.
Nasci e me criei, ouvindo falar em jatobá, desfrutei do rio e comi da fruta.
Na dormência da memória, morava o jatobá que provocado eclodiu em boas lembranças.
Parece que foi ontem… eu menina, de pedra na mão, quebrando a tal fruta para comer a massa de gosto incomparável, de cor deslumbrante, amarelo fosforescente, a qual abrigava o jatobá dentro de sua casca dura e marrom.
Após sujar a cara com o pozinho do jatobá, não sem antes ter me entalado por diversas vezes, era hora de brincar com os caroços que eram tão bonitos quanto as cascas e quanto a massa.
Em nome dessa álacre lembrança, munida de saudades, acessei a “wikipédia” e fiz uma pequena pesquisa que muito me agradou e certamente agradará os amantes da fruta.
Eis o obtido em relação ao Jatobá:
“Como planta medicinal, diferentes partes são usadas por indígenas do Brasil, Guianas e Peru contra diarréia, tosse, bronquite problemas de estômago e fungo nos pés.”
“Entre seringueiros e moradores de regiões próximas das florestas onde se encontram, é comum utilizarem a casca da árvore para fazer um chá, também chamado de vinhos de jatobá. Acreditam que este chá é um poderoso estimulante e fortificante”.
Pois é, amigos, Ipueiras em sua singularidade bebeu do Jatobá e, comeu o Jatobá. *PC*
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
