Quarto de século atrás. Paulo Elpídio, em seminário geral da UFC, retoma planejamento participativo de Martins Filho, na busca de vínculos mais sólidos entre o mundo acadêmico e o povo. Aí, nasce Rádio Universitária.
Fraco sinal, ducha de água fria joga-nos o Dentel. Baixo astral, a nos invadir, os Peros Vaz de Caminhas da idéia. Clóvis Catunda e Rodger Rogério propõem filme científico a nos distrair. O filme era a história de sofisticada pnte a ruir por causas inesperadas. Laudo dos cientistas: derrubara-a o simples soprar de brisa, na mesma freqüência dela. Liberal de Castro adentra-nos a sala, revoltado com críticas à UFC, no caso de reforma da Praça do Ferreira: “Ouvimos a sociedade. Os intelectuais queriam busto do Boticário Ferreira; o povão, uma fonte”. “Eureka”, bradei, “a água pode ser essa brisa”. Aí, ocorre-me: “Iracema saiu do banho, o aljôfar da água ainda a roreja…”
Na Rádio, a água jogada em poemas, letras de música, em tudo. Ao final, o bordão: “Rádio Universitária, valorizando e repensando o Nordeste”. Celso Furtado, o trouxemos, para nos falar do Nordeste, um quarto de século atrás e a nos apontar secas, limitações e potencialidades nossas. Empresário de olhar avançado nos diz que, mais importante que o gás, descobrira a água; criara, não formado, até “fábrica de doutores” (uma universidade); e batizara o principal jornal do Grupo como um “Diário do Nordeste”.
Neste quarto de século último, o Ceará, o riscamos de caminhos das águas, à espera do Velho Chico, transposto a nos redimir. “Reinaugurações” (escreve-nos o criador da Rádio, o então reitor Paulo Elpídio) são necessárias, sob a conotação do “repensar”. Mas sem a arrogância dos que acreditam “passar a limpo” o País, de Cabral até hoje. Esperamos que o húmus da humildade paute os nossos caminhos. *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
