No passado, o Ceará era uma terra dividida em várias nações indígenas. Algumas delas viviam em guerra com outras; poucas eram as que procuravam a união entre si.A falta de paz era tão grande que fazia a lua chorar e o sol se entristecer.Foi então que na nação dos Meriutabas, nasceu uma pequena princesa chamada Iricema. Era formosa desde de pequena, e sua beleza atraía para seu povo uma grande inveja.Um dia, um guerreiro poderoso chamado Trovão visitou a aldeia de Iricema e a pediu em casamento. Daria para os Meriutabas a paz e a fartura em troca.Trovão fez Iricema muito feliz e levou por muito tempo paz e abundância a toda a região, mas depois de sair um dia para caçada, Trovão não mais voltou.A região começou a fazer guerra e a terra voltou a ter secas atrás de secas. Iricema ficou triste.Viu seu povo sofrer e o povo das outras tribos também.O tempo passava e sem resposta, Iricema só chorava.De repente, os índios começaram a ver no céu, à noite, pequenas luzes a piscar.Eram as lágrimas de Iricema que a terra recusava receber e o céu as levava para si.Cada noite, havia mais estrelas e a lua já não estava mais só.Cansada de sofrer, Iricema saiu pelas matas procurando seu esposo, até que ouviu do vento que soprava pelas copas das carnaúbas que Trovão havia sido levado pelo grande rio e não mais voltaria.Iricema, então, não retornou mais à casa. Ficou sentada num alto rochedo até perder de si a consciência. A lua viu quando ela caiu em profundo sono e o sol também a viu quando esquentava o dia.Os dois grandes astros, com pena de Iricema, resolveram levá-la para junto de suas lágrimas e, numa noite de mágica, Iricema foi transformada numa grande lágrima piscante.Quando os índios viram aquela nova luz no céu, ficaram encantados e deixaram de lado suas guerras, começando uma paz duradoura na região.Iricema é o que hoje chamam de estrela d’alva; e as outras pequenas estrelas são as lágrimas que derramou pelo seu amado Trovão, enquanto na terra viveu. *PC*
Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.
