Às vezes eu me aborreço,
às vezes me entristeço.
Noutras tantas sou infeliz,
porém vou tocando a vida,
curtindo a ânsia atrevida,
de apostar no porvir.
Não quero olhar a vida,
apenas por uma janela.
Não quero viver suspirando,
feito eternas donzelas.
Se viver é correr risco,
encaro sem medo a mazela.
Eu quero o gozo da vida,
quero abrir feridas.
Sangrar se preciso for,
quero o choro da partida,
de cada paixão colhida,
que ardeu e se apagou.
Só não quero viver a apatia,
de uma vida sem magia,
de quem se desencantou.
Atrás das cores da vida,
sou primavera florida,
que o tempo não desbotou.*PC*
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.
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