Seu sonho sempre aumentava quando chegava um circo na cidade.
Então ele se animava todo e corria gritando com sua tábua de pirulito pelas ruas até conseguir o dinheiro necessário para o ingresso.
Seu apelido vinha da profissão.
As tias nada sabiam da vontade do garoto e assim ele podia, como brincadeira, repetir em casa as palhaçadas que tinha visto no circo.
Um dia, a vontade ficou mais forte. Pirulito já tinha 13 anos e não esquecia o seu desejo de ser palhaço. Bastou um circo chegar e o garoto se animou.
Estava decidido e com coragem foi pedir trabalho.
Sabia fazer de tudo até alimentar os leões se fosse preciso, assim ele disse para o dono do circo que o olhava curioso.
Foi aceito e quando o circo partiu lá se foi com ele Pirulito.
Trabalhou como armador de tenda, lavador de elefantes até de auxiliar de trapezista. E foi então que chegou a grande oportunidade, Girassol, o palhaço oficial, ficou doente e sem ter substituto, o dono ficou desesperado. Um circo sem palhaço era como um dia sem sol.
Pirulito pediu a chance e logo se aprontou. Mostrou o que sabia e tirou riso até do velho Girassol que a tudo assistia.
Na apresentação para o público, o garoto fez todo o circo gargalhar.
O sonho de Pirulito se realizava, era agora um palhaço profissional.
Daquele dia em diante, Pirulito e Girassol passaram a ser os dois melhores palhaços já vistos num circo; e por onde este passava, deixava na meninada e nos adultos a contagiante e eterna alegria que só os palhaços sabem dar.*PC*
Publicado no caderno DN Infantil do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.
