
quase todo santo dia.
Era menina levada,
boas surras merecia.
Mesmo assim eu adorava,
àquele que me batia.
Se apanhei, fiz por onde.
Entendo a situação.
Por isto trago com gosto,
meu pai em meu coração.
O objetivo das surras,
era apenas a correção.
“Quem não faz filho chorar,
mais tarde chora por ele”.
Assim reza o ditado,
e os antigos criam nele.
As surras, carões e castigos,
eram apenas excesso de zelo.
Das sovas, não tenho saudades.
Mas, ainda mereço sermão,
quem dera ser sempre guiada,
por sua voz e sua mão.
Continuo sua menina.
Faz falta sua proteção.
Dalinha Aragão é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.
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