Meu pai, meu guia – Por Dalinha Aragão / Rio de Janeiro


De meu pai eu apanhava,
quase todo santo dia.
Era menina levada,
boas surras merecia.
Mesmo assim eu adorava,
àquele que me batia.

Se apanhei, fiz por onde.
Entendo a situação.
Por isto trago com gosto,
meu pai em meu coração.
O objetivo das surras,
era apenas a correção.

“Quem não faz filho chorar,
mais tarde chora por ele”.
Assim reza o ditado,
e os antigos criam nele.
As surras, carões e castigos,
eram apenas excesso de zelo.

Das sovas, não tenho saudades.
Mas, ainda mereço sermão,
quem dera ser sempre guiada,
por sua voz e sua mão.
Continuo sua menina.
Faz falta sua proteção.


*PC*

Publicado no jornal O Povo, de Fortaleza.

Dalinha Aragão é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.


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