”Subir os montes para compreender as planícies. Às planícies descer, para captar a natureza dos montes” – eis o conselho de Maquiavel ao Príncipe. Aos montes e planícies, pois, em nossa educação!
Nos montes, ao virar o século, ela se vê ”capital social e humano”. E ”direito de todos, do nascer ao morrer”. Isso, da infantil à superior. Esta, grau inconcluso, por natureza… Na planície, ”universalização” corrói-se como ”apressada massificação”. Daí, faculdades improvisadas, cursos em atropelo, sem ajuste ao ”mundo do trabalho” e às necessidades: as sociais e as regionais. Para os míopes, um ”negócio”, em desafino com as antes ”casas onde se produz e se distribui o saber”. Nelas, professores tidos ”meros empregados ou palhaços até de alunos”. O diploma (e não o saber) como mercadoria posta à venda. Recém-graduados, a substituir, por preço vil, experientes e titulados docentes. Grosseiros dribles à legislação trabalhista: fantasiosas ”cooperativas” e ”empresas prestadores de serviços” a mascarar o ensino. Isso, em meio à discutível inclusão por cotas de negros e egressos da escola pública no seio acadêmico.
Na mesma planície, corporações econômicas já se dão conta de que a responsabilidade social pode lhes trazer, por ironia, vantagens em seu afã competitivo (www.ethos.org.br). Com tal intuito, normas aí estão (SA-8000). E é nesse tom que pressões sociais postulam ”ouvidoria” para colher o vigilante olhar coletivo sobre a educação superior, como a dizer: é a sociedade (e não o aluno) o cliente maior da educação. Que, aos egressos da planície e hoje no Olimpo, lhes fique a lição! *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
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