Motorista se apresenta à Polícia Civil após acidente que matou ciclista em Ipueiras; caso é investigado

A motorista envolvida no acidente que resultou na morte do ciclista Francisco das Chagas Pereira Lima, de 37 anos, conhecido como “Chaguinha do Totolec”, apresentou-se à Polícia Civil após deixar o local da colisão registrada na noite da última quarta-feira (8), na Rua Solon Catunda, na saída de Ipueiras em direção ao município de Nova Russas.

De acordo com a Polícia Militar, a suspeita, Valdirene Mourão Chaves Vasconcelos, foi localizada em sua residência e acompanhou os policiais até a Delegacia Regional da Polícia Civil de Crateús. Ela prestou depoimento na presença de seu advogado e foi liberada após ser ouvida. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Em depoimento, Valdirene afirmou que, após a colisão entre o veículo que conduzia e a bicicleta da vítima, acionou o Hospital Municipal de Ipueiras para solicitar o envio de uma ambulância. Em seguida, segundo seu relato, deixou o local e retornou para sua residência.

Francisco das Chagas Pereira Lima chegou a ser socorrido ao Hospital Municipal de Ipueiras, mas não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado ao Núcleo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), em Crateús.

As informações preliminares apontam que o acidente ocorreu durante uma tentativa de ultrapassagem. O automóvel envolvido será submetido à perícia técnica, procedimento que deverá auxiliar na identificação das circunstâncias da colisão.

Valdirene Mourão Chaves Vasconcelos é secretária de Assistência Social de Ipueiras e esposa do ex-prefeito Titico, pai do atual prefeito Júnior do Titico.

Outro acidente em 2024

A motorista já havia se envolvido em outra ocorrência de trânsito em 2024. Na ocasião, um acidente registrado na localidade de Pau D’Arco, também em Ipueiras, deixou um homem ferido após uma colisão. As circunstâncias e a responsabilidade pelo ocorrido não foram detalhadas pelas autoridades.

Acidentes fatais preocupam no Ceará

Os acidentes de trânsito continuam entre as principais causas de mortes violentas no Ceará. Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) e de órgãos da segurança pública apontam que centenas de pessoas perdem a vida todos os anos em rodovias estaduais e vias urbanas do Estado. Entre as principais causas estão excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, consumo de álcool ao volante, distração dos condutores e desrespeito às normas de circulação.

Ciclistas também figuram entre as vítimas mais vulneráveis no trânsito, especialmente em trechos sem infraestrutura adequada, acostamento ou ciclovias, o que reforça a necessidade de maior atenção dos motoristas e do cumprimento das normas previstas no Código de Trânsito Brasileiro.

O que diz a legislação

O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que deixar o local de um acidente para fugir da responsabilidade civil ou penal configura infração prevista no artigo 305, com pena de detenção de seis meses a um ano, ou multa.

Caso as investigações concluam que houve homicídio culposo na direção de veículo automotor — quando não há intenção de matar —, o condutor poderá responder com base no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro. A pena varia de dois a quatro anos de reclusão, além da suspensão ou proibição de obter a habilitação. Dependendo das circunstâncias constatadas pela investigação, como excesso de velocidade, embriaguez ou outras agravantes previstas em lei, as penas podem ser significativamente mais severas.

A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais e a coleta de novos depoimentos para esclarecer a dinâmica do acidente e definir eventual responsabilização criminal da condutora.

Primeira Coluna

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