Em 20 anos, Alece teve apenas uma CPI para tratar de questões de segurança pública

Nos últimos 20 anos, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) instalou apenas uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar questões de segurança pública, por meio do colegiado que tratou do motim da Polícia Militar (PM) em 2020. Nesse período, embora a Casa tenha registrado pedidos e articulações entre os deputados, apurações do tipo não têm avançado.

Em 2005, os parlamentares cearenses protagonizaram a chamada “CPI do Extermínio”, na qual investigaram a existência de um grupo de execução formado por policiais militares a serviço de uma rede de farmácias de Fortaleza. Os agentes teriam matado mais de 20 adolescentes suspeitos de furto ou roubo contra unidades da empresa. O relatório final da Comissão pedia o indiciamento de 13 pessoas, sendo o caso levado à Justiça comum.

Desde então, o tema da segurança pública só foi pauta da “CPI das Associações Militares”. O colegiado foi instalado em 12 de agosto de 2021, com o objetivo de investigar o possível uso ilegal de repasses das entidades cearenses no motim da PM no Ceará em fevereiro de 2020.

A iniciativa foi uma reação dos deputados da base governista para investigar a ala da categoria envolvida no movimento paredista. Os parlamentares apontaram que havia indícios de que os recursos recebidos pelas associações ligadas à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará estavam sendo usados para fins eleitoreiros e para financiar os atos.

Depois de mais de um ano de trabalho, a CPI indiciou três representantes da Associação dos Profissionais de Segurança (APS), a maior entidade representativa de policiais e bombeiros no Ceará, por crimes de motim e tráfico de influência. A relatoria era do então deputado estadual Elmano de Freitas (PT), atual governador do Estado. 

Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Dário Gabriel/Alece

Primeira Coluna

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