
Miraíma é o município cearense com a menor renda média mensal por pessoa, estimada em R$ 1.003,70. Em seguida, aparecem com os menores valores de rendimento per capita: Tejuçuoca (R$ 1.014,02), Ararendá (R$ 1.045,85) e Deputado Irapuan Pinheiro (R$ 1.056,72).
As cifras consideram os ganhos do(a) responsável pelo domicílio. O resultado faz parte de um estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), divulgado nessa segunda-feira (21).
A análise tem como base os dados do Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Naquele ano, o salário mínimo era de R$ 1.212.
Assim como Miraíma, outras 64 cidades tinham uma renda inferior a um salário mínimo em 2022, totalizando 35,3% dos municípios do estado.
Para se ter uma ideia, a renda registrada em Miraíma corresponde a apenas 21,8% da renda de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), que apresenta o maior valor, de R$ 4,6 mil.
No ranking dos 20 municípios cearenses com os valores mais altos do rendimento nominal, Fortaleza e cidades nos arredores ocupavam a maioria das posições, nas menores remunerações, prevalecem cidades do Vale do Curu, quatro no total.
Tejuçuoca, também na região, aparece na segunda posição com a menor renda. Há três anos, a remuneração nominal média do município era de R$ 1.014,02, 83% de um salário mínimo da época. Hoje, o valor corrigido pela inflação seria de R$ 1.073,05, mas representaria apenas 70% de um salário mínimo.
Apuiarés e General Sampaio completam a lista de municípios do Vale do Curu na lista das piores rendas médias mensais. O Litoral Norte (Bela Cruz, Granja e Martinópole) e o Sertão Central (Choró, Deputado Irapuan Pinheiro e Ibaretama) também aparecem com destaque no ranking.
Por que o Vale do Curu está perdendo a participação no PIB cearense
Miraíma e Tejuçuoca são, ainda de acordo com o Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios de 2021 — último levantamento divulgado pelo IBGE —, as duas cidades do Ceará com maior dependência do poder público, incluindo programas de transferência de renda.
“Em 2017, o Vale do Curu representava 2,82% do total produzido de bens e serviços no estado e, em 2021, caiu para 2,47%. Essa queda de participação certamente indica que está perdendo vigor econômico em relação às regiões mais ricas do estado, o que se reflete na diminuição da oferta de empregos e na queda da renda média”, registra o especialista.
Há quatro anos — ainda no auge da pandemia —, mais da metade do PIB das duas cidades vinha da administração pública. Wandemberg Almeida assinala que essas questões se traduzem em uma remuneração média mensal menor.
Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Prefeitura de Miraíma / Divulgação
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