Está na hora de dormir? – Por Carlos Moreira / Ipueiras

Quem já não teve pelo menos uma vez aquela sensação de estar muito cansado, mas, após deitar na cama, não conseguiu dormir?

Um dos motivos apontados como maior causa de insônia é o nível de estresse. Apesar de reparador, o sono não é recuperável. Uma boa noite de sono, além de propiciar o natural descanso do estado de vigília, pode influenciar as pessoas em vários aspectos. Fisicamente, diminui a pressão arterial, previne o diabetes, o câncer e regulariza diversas funções cerebrais e cardíacas. Pode ainda melhorar o humor, a concentração, a memória e a criatividade. Em contrapartida, uma noite mal dormida pode causar má digestão, falta de apetite, enfraquecimento do sistema imunológico, comprometimento da função cardíaca, depressão e queda na produtividade profissional.

Em entrevista concedida ao Primeira Coluna, o psicólogo Denis Coelho acredita que a falta de sono não é o foco, pois trata-se de conseqüência. Deve-se focar a causa e não o sintoma. Coelho acha que há um predomínio maior de mulheres com estresse no município de Ipueiras. Estresse é um mal vinculado a uma determinada realidade, à realidade de cada indivíduo, e não a uma raiz biológica ou orgânica. Tem de ser avaliado no contexto em que a pessoa vive. O que existe na verdade é um alto índice de transtorno de ansiedade, de depressão, de histeria.

CAUSA E EFEITO

Segundo Denis Coelho, estresse é um um mal moderno. Não há registros históricos de que tenha sido identificado em qualquer tempo ou cultura, o que não descarta totalmente a possibilidade de ter existido pontualmente em outros momentos da humanidade. No entanto, está claro que é algo intrínseco à vida moderna e sua ausência de significados, característica marcante do mundo contemporâneo. E o estresse pode se tornar crônico.

Ele afirma ainda que aumentar o número de horas de sono não significa dormir melhor. Maior quantidade de sono não significa o equivalente em qualidade. Depende muito de cada um. Há pessoas que são mais suscetíveis à tensão e ao esgotamento. Existem outras mais resistentes e que se adaptam melhor a situações difíceis. É preciso tomar algumas medidas: a prática de esportes e as técnicas de relaxamento são dois exemplos.

O Dr. Denis Coelho alerta: o papel do psicólogo é facilitar a busca de soluções. O empenho do paciente é fundamental para que isso se concretize. A pessoa tem de ser autônoma. O psicólogo da Secretaria de Saúde do município de Ipueiras relata também que primitivamente o medo vem do nada e é alimentado pela imaginação – “O ócio é a mãe de todos os vícios”. Ele acredita que um dia a comunidade científica vai compreender que uma das grandes causas das doenças, sobretudo o câncer, além da relação com a genética, é a interação da estrutura biológica com o ambiente. E é onde cresce a importância da Psicologia. A Organização Mundial de Saúde afirma: saúde é bem-estar, e não simplesmente a ausência de doença. Tem que haver o bem-estar físico, psíquico, social e espiritual. Ao falar da sociedade, simplifica-a como dualista, não é monística e imaterialista desde a época de Galileu, quando nasceu a ciência e pereceu a intuição. *PC*

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