Telenovela: invenção que deu certo – Cadernos da Comunicação

Desde o seu nascimento, a TV Tupi carregou a sina do pioneirismo. A primeira televisão da América Latina inventou os primeiros programas de televisão da América Latina. Sem parâmetros, teve que criar na base do erro e do acerto. Foram muitos os acertos, mas os erros e trapalhadas também somaram grande número. Tanto que, dos diretores aos funcionários, a maioria dos que passaram pela emissora de chateaubriand concorda que a crise da Tupi nasceu junto com ela e durou seus 30 anos de vida.

Muitos afirmam que a emissora só era imbatível na década de 50, quando praticamente não havia concorrência. Era a época dos teleteatros e do famoso Repórter Esso. “A Tupi foi a universidade da televisão brasileira. Todos os grandes nomes que hoje fazem a TV passaram por lá, como Boni, Carlos Manga, Chico Anísio, Trapalhões”, lembra Hilário Rodrigues, 72 anos, ex-diretor de jornalismo da Tupi Rio.

A grande invenção da emissora, cuja fórmula dá certo até hoje, foi a telenovela, uma transposição para a televisão das novelas de rádio. O primeiro e maior sucesso, O direito de nascer, ficou no ar quase um ano, de 7 de dezembro de 1964 a 3 de agosto de 1965, ajudando a distrair as famílias brasileiras, que viviam os primeiros meses do regime militar.

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Programa exclusivo da Tupi, os concursos de misses mobilizaram o Brasil durante décadas. Todos os anos, entre junho e julho, entrava no ar, às 22h30min, a disputa do Miss Brasil. A festa levava ao Maracanãzinho cerca de 30 mil pessoas, a maioria vestida com traje de gala. Em casa, o público também vibrava e torcia por aquela que considerasse a melhor representante da beleza nacional.

As moças vestiam maiôs Catalina e tinham um sonho ainda maior que conquistar a faixa de Miss Universo: arranjar um casamento com um bom partido. Mas, ser eleita a mais bela não era nada fácil. Para exibir o cetro e a coroa para as câmeras, a jovem tinha que medir nada mais nada menos que 90cm de busto e quadris, 60 de cintura, 21 de tornozelo e, no mínimo, 1,70cm de altura. E, o mais importante, precisava ser virgem.

Bisavô de sucessos atuais como o Show do Milhão, de Sílvio Santos, O Céu é o Limite podia fazer milionários aqueles que respondessem corretamente às perguntas formuladas sobre um determinado tema. Nos estúdios da Tupi do Rio, o apresentador J. Silvestre e a atriz Ilka Soares, garota-propaganda da Varig, patrocinadora do programa, recebiam os participantes, cujas memória e rapidez de raciocínio seriam testadas. Leia a íntegra (em PDF). *PC*

Texto de Patrícia Alves do Rego Silva (TV Tupi, a pioneira na América do Sul – CADERNOS DA COMUNICAÇÃO* – SÉRIE MEMÓRIAS)

Reprodução gentilmente autorizada por Regina Stela Braga, editora-executiva dos Cadernos da Comunicação.

*Os Cadernos da Comunicação são uma publicação da Secretaria Especial de Comunicação Social da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

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