
Era uma vez uma sabiá que vivia alegre a cantar.
Saltava de galho em galho. Pulava de árvore em árvore saracoteando pela floresta.
Comia frutas colhidas no pé, sementes e pequenos insetos. Quando queria beber, escolhia os mais belos lugares: uma fonte deslumbrante, um rio de águas cristalinas ou até mesmo uma pequena cacimba de água fresca e saborosa.
Em qualquer desses lugares, ela mergulhava a cabecinha, enchia o bico, e olhava para o céu, como se estivesse agradecendo a Deus a beleza de desfrutar daquela natureza abençoada.
Seu lar era a floresta.
Dormia no aconchego da copa das árvores, e lá também fazia o ninho onde ia pôr os ovinhos que em pouco tempo se transformariam em filhotes.
Nada como a liberdade dos pássaros. A mãe alimenta e cuida dos filhotes até que eles aprendam a voar, se alimentar e se defender sozinhos. A partir daí, cada pássaro é dono do seu próprio destino.
E assim a alegre sabiá prosseguia sua jornada, cantando e tendo suas ninhadas.
Certo dia, o inocente pássaro, que não desconfiava das maldades do mundo, caiu numa arapuca.
Numa pequena bacia de vidro transparente, coloridos pedaços de fruta prendiam-lhe a atenção.
A pobre ave, hipnotizada pelo reflexo do Sol no vidro, com as cores da salada saltando-lhe aos olhos, e ainda por cima o cheiro gostoso que o ar espalhava, não pensou duas vezes: mergulhou de cabeça naquela janela aberta, sem se dar conta de que ali estava uma gaiola em forma de alçapão.
Pobre sabiá!
Agora, ela tinha dono, gaiola de ouro, água e comida farta.
Mas, perdera seu bem mais precioso: A liberdade!
Perdendo a liberdade, perdeu a voz.
Sem serventia na casa, o dono pensou: “De que me serve um pássaro mudo?” E soltou a infeliz.
Daquele dia em diante, a sabiá, que ganhara uma nova chance de ser livre e feliz, aprendeu que nem sempre o que nos encanta os olhos é sinônimo de alegria e felicidade.
Publicado no caderno DN Infantil do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.
Dalinha Aragão é natural de Ipueiras, Ceará.
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