Numa pequena lagoa nas encostas de um monte vivia um sapo. Mas não era um sapo comum, era ambicioso e, enquanto os outros sapos cantavam, procurando acasalar-se, ele virava os olhos para o céu e contemplava apaixonado a lua.
Todas as noites, quando já escurecia, ele virava os olhos para cima procurando o prateado disco.
A lua notou um dia aquele olhar amoroso e de uma forma que só o sapo percebia ela passou a lhe corresponder.
Os sapos riam dele, daquele sapo que só tinha olhos para o céu e em toda a lagoa ele era motivo de chacota.
O sapo se entristecia, pois sabia que seu amor, embora correspondido, nunca seria concretizado. Ele queria subir à lua e ficar juntinho dela. Como poderia, se ela ficava tão longe, lá no céu?
A conselho de um jacaré, passou a pular mais alto do que todos os outros sapos, na intenção de num dos pulos chegar junto da lua.
Mas tudo era em vão e ele acabava cansado e cada vez mais desanimado.
Um dia começou uma forte ventania que obrigou a todos os pequenos animais da floresta a se abrigarem. O vento se transformou num forte tufão, então o sapo teve a idéia de se jogar na ventania e talvez assim chegar a sua amada lua.
No meio do tufão o sapo rodopiou e foi subindo, subindo até sumir por completo.
Da floresta então o sapo desapareceu.
Na primeira lua cheia, seus companheiros, cheios de inveja, viram na lua o pequeno sapo a pular alegremente no seio de sua amada. Esta foi a sua recompensa por acreditar no impossível. *PC*
Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.