Seu tema não são as experiências, mas a ânsia de contá-las. Narradas por um jovem que está aprendendo e ao mesmo tempo internizando a vida complexa e rica de seu torrão natal.
Frota Neto enfrenta suas próprias memórias de juventude e escreve um romance de recriação, mudando de alguns o nome, doutros a região. Até a cidade quando então Ipueiras, lê-se agora Macambira.
Não deixa de ser um livro autobiográfico lançado na maturidade. Os acontecimentos na vida do autor, ultrapassam o interesse comum e ganham o interesse geral.
É um romance de formação, informação e recordação, onde não há um só episódio narrado com particular elegância e relevância para o leitor.
Recriar e criar a Ipueiras de uma época é a preocupação do autor, e como toda recriação, renova-a com outro nome. Construindo lá o que na arte de contar histórias dá liberdade e traz riquezas à narrativa, detalhes e novos traços.
O leitor vê-se ao ler esta obra, inserido dentro de um universo interiorano com seus tipos marcantes, e apesar da semelhança dos tipos físicos e urbanos,o lugar é Macambira, e lá quase sempre era sábado *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.