Macambira – Por Bérgson Frota / Fortaleza

“Era quase sempre sábado em Macambira” completará em 2007 vinte anos de seu lançamento. Durante estas duas crescentes décadas, o livro foi se tornando aos poucos uma obra prima da literatura memorialista interiorana cearense.

Seu tema não são as experiências, mas a ânsia de contá-las. Narradas por um jovem que está aprendendo e ao mesmo tempo internizando a vida complexa e rica de seu torrão natal.

Frota Neto enfrenta suas próprias memórias de juventude e escreve um romance de recriação, mudando de alguns o nome, doutros a região. Até a cidade quando então Ipueiras, lê-se agora Macambira.

Não deixa de ser um livro autobiográfico lançado na maturidade. Os acontecimentos na vida do autor, ultrapassam o interesse comum e ganham o interesse geral.

É um romance de formação, informação e recordação, onde não há um só episódio narrado com particular elegância e relevância para o leitor.

Recriar e criar a Ipueiras de uma época é a preocupação do autor, e como toda recriação, renova-a com outro nome. Construindo lá o que na arte de contar histórias dá liberdade e traz riquezas à narrativa, detalhes e novos traços.

O leitor vê-se ao ler esta obra, inserido dentro de um universo interiorano com seus tipos marcantes, e apesar da semelhança dos tipos físicos e urbanos,o lugar é Macambira, e lá quase sempre era sábado *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.

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