O circo de todas as gerações sempre trazia alegria, esperança e dias melhores para o povo de Ipueiras, hoje deixando um imenso vazio (Foto: Banco de Dados)
Nos meses de férias ou em festas de fim de ano sempre chegava a Ipueiras um circo.
Quando determinavam o sítio de montagem, logo as cafezeiras da cidade apareciam fazendo um espetáculo à parte. Brigavam pelos melhores lugares, os mais apropriados para a venda de seus produtos.
Nos circos, quando havia animais, estes eram a maior atração. Não tendo, o que ocorria na maioria das vezes, passava a ser o eterno palhaço, o centro das atenções da meninada. Era cercado e dela difícil se livrava.
Em geral o circo passava um mês e meio na cidade.
E quando o palhaço que diariamente desfilava nas ruas a anunciar :
– É hoje! É hoje o dia do grande advento, o artista voador e a cobra que vai engolir um jumento.
A meninada a acompanhar gritava alegre repetindo o refrão. Nas ruas por onde passava a comitiva levava movimento e animação.
Dos circos havia os de lona grossa e curta, outras compridas, sempre de cor amarronzada e com bandeirinhas enfeitando a cobertura.
Dentro era cheio de cordas, escadas e fora as cadeirinhas especiais mais próximas do palco, tomava espaço a vasta arquibancada em forma de ferradura que servia à maioria.
À noite apresentavam-se os acrobatas e engolidores-de-fogo, seguidos da comédia dos palhaços, o drama dos atores e o sobrenatural na figura do mágico que da platéia sempre solicitava alguém, para no fim, depois do truque feito e bem sucedido, receber do público os aplausos merecidos.
Assim eram os circos em Ipueiras.
Espetáculos únicos e variados que deixaram saudades e lembranças, que com o tempo marcaram com magia e encanto a vida de várias gerações de ipueirenses. *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.
