O Circo em Ipueiras – Por Bérgson Frota / Fortaleza

O circo de todas as gerações sempre trazia alegria, esperança e dias melhores para o povo de Ipueiras, hoje deixando um imenso vazio (Foto: Banco de Dados)

Nos meses de férias ou em festas de fim de ano sempre chegava a Ipueiras um circo.

Quando determinavam o sítio de montagem, logo as cafezeiras da cidade apareciam fazendo um espetáculo à parte. Brigavam pelos melhores lugares, os mais apropriados para a venda de seus produtos.

Nos circos, quando havia animais, estes eram a maior atração. Não tendo, o que ocorria na maioria das vezes, passava a ser o eterno palhaço, o centro das atenções da meninada. Era cercado e dela difícil se livrava.

Em geral o circo passava um mês e meio na cidade.

E quando o palhaço que diariamente desfilava nas ruas a anunciar :

– É hoje! É hoje o dia do grande advento, o artista voador e a cobra que vai engolir um jumento.

A meninada a acompanhar gritava alegre repetindo o refrão. Nas ruas por onde passava a comitiva levava movimento e animação.

Dos circos havia os de lona grossa e curta, outras compridas, sempre de cor amarronzada e com bandeirinhas enfeitando a cobertura.

Dentro era cheio de cordas, escadas e fora as cadeirinhas especiais mais próximas do palco, tomava espaço a vasta arquibancada em forma de ferradura que servia à maioria.

À noite apresentavam-se os acrobatas e engolidores-de-fogo, seguidos da comédia dos palhaços, o drama dos atores e o sobrenatural na figura do mágico que da platéia sempre solicitava alguém, para no fim, depois do truque feito e bem sucedido, receber do público os aplausos merecidos.

Assim eram os circos em Ipueiras.

Espetáculos únicos e variados que deixaram saudades e lembranças, que com o tempo marcaram com magia e encanto a vida de várias gerações de ipueirenses. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.

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