Talvez o sonho de todo poeta é ser comparado à genialidade de Dante, com sua “Divina Comédia”, ou do autor de “Os Lusíadas”, Luís de Camões. É voz corrente no meio literário que ambos alcançaram a perfeição poética.
Nos anos 1930, numa praça de Buenos Ayres, os jovens poetas Efraim Tomás Bó, Godofredo Iommi, Raul Young (argentinos), Abdias Nascimento e Gerardo Mello Mourão (brasileiros), fundaram a Santa Hermandad de la Orquídea. Amantes da musa e da aventura de descobrir o mundo, os poetas queimaram tudo o que haviam escrito até então e a irmandade tinha um único lema: “Ou Dante ou nada”.
O tempo passou. Cada poeta seguiu seu caminho, mas, nunca esqueceram o pacto feito. Aclamado o grande poeta do Brasil, Carlos Drummond de Andrade afirmou, em certa ocasião, “algumas pessoas pensam que sou o grande poeta do Brasil… o grande poeta do Brasil é o Gerardo Mello Mourão. E digo ‘o’ Gerardo, como se diz ‘o’ Dante”.
Não só Drummond, mas, a crítica especializada aclamou Mello Mourão e o aplaudiu, considerando-o novo Dante e novo Camões. Seu livro “Invenção do Mar”, só tem um parente próximo: “Os Lusíadas”, de Luís de Camões.
Das muitas frases que guardei do imortal Antonio Olinto, grande crítico literário e imortal da Academia Brasileira de Letras, por ocasião do lançamento de meu livro “A Saga de Gerardo: um Mello Mourão”, em abril último em Fortaleza, biografia que depois foi lançada com sucesso no Senado Federal, em Brasília, uma ficou em minha memória, muitas outras ficaram no coração, em face do que o imortal disse a meu respeito e do trabalho que ousei apresentar.
Palestrando para os alunos do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral, o imortal, parabenizando-nos por termos em Gerardo nosso ilustre conterrâneo, orientou-nos: quando vos disserem, poeta, respondam: poeta é Gerardo Mello Mourão, parafraseando o mestre Bandeira. Dia seguinte, ao chegarmos a Ipueiras, Olinto disse: “Ipueiras, aqui nasceu a poesia”. É a prova de que Mello Mourão conseguiu o que pactuou com os colegas, se tornou Dante.
Matéria publicada originalmente no jornal Expresso do Norte, Sobral-Ce.
José Luís Lira, advogado e presidente da Academia Brasileira de Hagiologia