Súbito, o crescente “não dá mais p’ra segurar”, em seu ingênuo “lirismo (…) com manifestação de apreço” aos tempos de agora, a explodir, entre o povo, na reação do “estamos cansados” e do “saco cheio”, do Oiapoque ao Chuí…
Cá entre nós, ao sul do equador – onde crescimento econômico, desde Celso Furtado, tentava se metamorfosear em sustentável desenvolvimento, pelas laboriosas vias da agricultura e da indústria -, nem mesmo a decantada segurança das bolsas nos calaria. Por trás da digna intenção, de franciscana raiz da ecclesia lascatorum, deixava escapar sinais do clientelismo governamental e dos grupos econômicos a “viciar o cidadão”, em meio ao crime e à prostituição até.
Na terra de santa cruz, o “mau desenvolvimento” terminou por acentuar o crime, que, no Ceará, aguarda “ronda chic” a reprimi-lo. Isso, justo onde o governo, cobrado, decai em sã humildade, auto-reprovando-se com nota baixa…
Felizes esses irônicos tempos de vaias, arrogâncias e narcisismos ao chão! Infantes com lápis e borracha à mão, em aulas de caligrafia, refazemos afinal os borrões de nossa histórica vida política, tentando passar a limpo “este País”. Que seja assim, do Planalto Central, ao Nordeste e Fortaleza. Sobretudo desta, que, narcísea, proclama-se “bela”. É bom não esquecermos que nosso povo, como outrora, pode repetir cena histórica: vaiar, em plena Praça do Ferreira, o astro-rei, que, na dita “terra do sol”, um dia, tardou pelo esperado amanhecer…
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).