O que relato agora não foi exclusividade, apenas, de minha família. Era comum no interior do Ceará, e certamente de todo Nordeste.
Com a chegada do mês de dezembro começava o movimento para montar a Árvore de Natal. Movimento esse, que reunia toda a toda família em torno do mesmo tema.
Antigamente não tínhamos dinheiro nem produtos disponíveis para montar uma árvore, como as que víamos nas revistas. Porém, o que nos faltava em dinheiro e produtos especiais, sobrava-nos em criatividade.
E assim, começava o reboliço, era chegada a hora de montar a Árvore de Natal. O primeiro passo era procurar nos arredores da cidade um garrancho com muitos galhos. Tarefa quase sempre atribuída aos meninos, que em bandos traziam mais de um galho,para que pudéssemos escolher o melhor.
Enquanto isso, meninas já estavam forrando com papel de presente uma lata de vinte, onde cheia de areia seria plantado o galho seco.
Outra turma, cortava papel celofane e crepom, verde, em tiras, faziam bastantes franjas, para recobrir o projeto de árvore, que aos poucos ia ganhando forma. Arvore coberta de verde, era hora de colocar sobre os galhos os brancos cordões de algodão, noutro canto meninas cobriam caixas de fósforo com papel prateado retirado das cédulas de cigarro, e com papel de presente. Caixa de vários tamanhos , além das de fósforo, também eram cobertas, fingiam ser presentes, e serviam como enfeites a serem dependurados na árvore.
Depois desse passo-a-passo a árvore estava quase no ponto, garrancho ,conseguido e recoberto de verde, enfiado na lata recoberta, já colorida pelo papel de presente, caixinhas feito enfeites penduradas, outras maiores ao pé da arvore fingindo presente.
Agora faltava colocar o menino Jesus em meio às palhinhas junto a árvore, o que era feito com carinho, e confeccionar a estrela para colocar no alto da Árvore.
Papelão na mão, tesoura, lápis, num instante, a mais habilidosa, desenhava e recortava uma linda estrela com grande cauda. Agora era só fazer um grude de goma, lambuzar a estrela, jogar areia prateada em cima e em seguida coloca-la no lugar de destaque. Assim criávamos nossa árvore.
Esse, acredito, era o verdadeiro espírito de Natal, onde famílias juntas numa perfeita confraternização se reuniam em torno do sagrado momento natalino.
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará
