A praça central era a mais iluminada.
Muitas luzes amarelas em espaços próximos faziam dela uma verdadeira fonte de luz que se destacava na cidade inteira.
E para lá principalmente que corria toda a garotada, fascinados pela luminosidade e alegria contagiante que só o natal nos fazia sentir.
As casas eram enfeitadas com adornos brilhantes e pisca-piscas, e poucas deixavam de ter uma árvore de natal recheada de bolas de vidro coloridas postas quase sempre à vista de quem por fora olhasse com fácil curiosidade.
Logo que a noite mais se adiantava, casais maduros e jovens passavam em direção à igreja matriz. Caminhavam numa harmonia respeitosa e lenta para esperar na nave do templo ou no amplo patamar em frente, o início da missa do galo.
Como criança olhava aquele ritual religioso mais como uma extensão da festa sem pensar ainda na profunda importância daquela celebração.
A noite corria e as luzes que brilhavam iam aos poucos se apagando, a constelação que para mim parecia pregada naquela cidade cercada de morros, misteriosamente sumia e o sono me tomava.
Pela manhã os presentes.
E o fascínio em procurar e abri-los, fazendo de conta que o bom velhinho e não meus pais, era quem os trouxera.
E foi nessa alegria que os natais naquela pequena cidade me marcaram.
O tempo passou, mas a magia daquelas noites em Ipueiras ficaram gravadas.
E sempre quando chega o natal, eu já adulto e já distante, caminho nas lembranças daquelas ruas, que minha memória trabalha e as reconstrói, onde o tempo parecia eterno e nunca passava, onde a cidade plena de alegria plasmava uma atmosfera de paz e luz que emanava fantasia.
Assim eram as noites iluminadas de natal em Ipueiras, assim foram às noites iluminadas de natal em Ipueiras, e lá estava eu, longe do tempo onde sobre elas um dia haveria de escrever.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha – Fortaleza.
